13 julho, 2010
Jordi Savall - yo me enamore de un ayre
Viajar...
10 julho, 2010
Hoje
O concerto de hoje está esgotado... (e eu vou estar lá :-) mas vale a pena estarem atentos ao programa e passarem por lá para ouvir boa música a preços reduzidos depois de uma boa tarde de praia (de preferência num dia em que não esteja vento e nevoeiro como) e de um banho no mar (se tiverem coragem de enfrentar a temperatura do mar da Póvoa...)
06 julho, 2010
Pérolas aos Poucos - Zé Miguel Wisnik
05 julho, 2010
o encontro
A tua pequenez é enorme.
Nada te pode vencer.
Não recuses nenhum dos teus limites, só eles dizem a grandeza do que tens.
Daniel Faria
29 junho, 2010
"Eu sou o amor"
imagem retirada daqui
Pensamento II
a verdade mais dolorosa é melhor que a mentira mais piedosa.
Pensamento I
às vezes enganámo-nos a nós próprios.
e no fundo sabemos que estamos a enganar-nos.
mas queríamos tanto estar enganados.
(ou seja, não estar enganados).
21 junho, 2010
quase...
10 junho, 2010
sem título
07 junho, 2010
Conjugar o verbo acolher
Conjugar o verbo estar
27 maio, 2010
depois da tarde
palavras suspensas na garganta
por um fio invisível, rente à língua,
à míngua de água. fome.
palavras suspensas no ar
como frutos em queda entre o sonho e o chão,
Palavras suspensas no verbo
cair. [dizer, silenciar, mudar, partir]
palavras suspensas na vontade:
[medo] de te [ser]
palavras suspensas nas mentiras que tecemos.
viscosas. mãos. fundo.
24 maio, 2010
a tarde
a tua pele de sal.
a tua boca de mar.
o teu corpo de areia e de sol.
a tua boca de sal.
a tua boca de sal.
a tua boca de sal.
22 maio, 2010
16 maio, 2010
espera(r)
esperar é a capacidade dos que ainda são capazes de viver com esperança, dos que ainda são capazes de acreditar no mundo, nas pessoas, na beleza, na verdade, na justiça,...
esperar está para a acção como o silêncio para a música (ou para a palavra) e já se sabe que não há boa música sem silêncio.
20 abril, 2010
silêncio.
pudesse calar-te às vezes,
ou fazer-te falar,
quando quero,
quando expiro,
quando não sei dizer-te
que preciso.
(nunca sei dizer-te nada).
espera.
dos dias roubados
ao silêncio.
de esperança perdida
na azáfama dos dias roubados
ao silêncio.
estas brancas palavras de esperança perdida
na azáfama dos dias roubados
ao silêncio.
foz.
do outro lado do mar.
do outro lado do rio.
do outro lado de nós.
19 março, 2010
Espera
as contrariedades testam a persistência e fortalecem o espírito?
ah! então é isso. já me sinto mais musculosa.
29 janeiro, 2010
Cinzas
em que me esqueço
e o sal queima à nascença o teu desejo
filigrana de cinzas nos meus dedos.
Não era tarde
se viesses perder-me agora
e aos teus passos ruíssem as paredes
e o vento frio por dentro me habitasse.
Não era tarde, era a hora
tão esperada e por isso já esquecida,
de quem sempre espera
e nunca se demora.
Se tu soubesses (se o saber bastasse)
as nuvens que me enchem os pulmões
e que de respirar meu corpo amadurece
e cai desamparado nos umbrais.
04 janeiro, 2010
27 novembro, 2009
dentro desse instante quase,
dentro do desejo à solta
prestes a gritar.
não sou quem esperas,
vai-te embora, vai à volta,
não sou quem me demoras.
um segundo.
é o tempo que tenho para te perder.
é o tempo de te respirar por dentro.
é o tempo de uma porta a bater.
é o tempo de cair na armadilha,
tenho frio, tenho chuva, tenho medo.
é o barulho de um carro a bater de frente.
é uma parede branca ao relento.
é um semáforo intermitente.
06 outubro, 2009
sede
chuva
e essa poeira lentíssima que vem com ela,
como um lençol invisível que cobre os ombros de todos
de triteza e de cinzento.
chuva
torrencial
de vazio e de desejo,
diluindo a visão e a memória.
terra
quente e muda de sede,
poros dilatados, e vales, rios e bocas
abertos ao céu, língua áspera de fome,
se mãos tivesse das nuvens beberia
sofregamente.
29 setembro, 2009
10 setembro, 2009
regresso
um encontro tantas vezes adiado,
o silêncio.
entre todas as vozes a tua,
para todas as perguntas: liberdade.
04 setembro, 2009
antes de sair
a todo o momento acontecem coisas que não se conseguem controlar, a vida acontece e é imprevisível e inesperada, angustiante e irrelevante na medida em que não há nada a fazer a não ser continuar.
ou então aproveitar um fim-de-semana fora e parar. arrefecer o pensamento, deixar correr cá fora o que está dentro, deixar passar por dentro o tempo lento de estar fora do sítio, fora de casa, fora do tempo, como se houvesse, às vezes, um tempo fora do tempo. onde me sinta em casa. um tempo, fora do tempo, fora de casa, onde me sinta em casa.
14 julho, 2009
ser(á) outro

dedilho nos meus dedos
a tua (im)paciência.
aspiro à integridade como a um balão de ar quente
que já partiu e que vejo sempre ao longe,
um ponto minúsculo no horizonte.
dedilho nos meus dedos
a noite e a verdade.
consagro inúteis o desejo e a vontade.
substraio o resto ao produto do divisor pelo quociente
e deito fora o excesso de dividendo.
sobra a verdade que ninguém quer, só eu,
que não me serve de tão pequena e vã,
mas emagreço só para lhe servir
e de todos me afasto e me despeço.
16 junho, 2009
sono
sonâmbula a noite
nos meus dedos.
dedilho as horas
na tua pele, pêlos,
ossos fundos no sono
que respiras,
longínquo.
27 maio, 2009
Sara Tavares - Ponto de Luz
ouve-se bem nestes dias...
ouve-se bem todos os dias.
faz sempre falta mais um ponto de luz.
26 maio, 2009
re(in)spiração
confissões
29 abril, 2009
Fortaleza
Há portas através das quais nos dividimos, e outras que nos deixam mais inteiros.
Esta foi a primeira porta que atravessamos na Peregrinação dos centros. Da qual voltamos sozinhos, mas unidos a todos os que lá estiveram por um mesmo ideal. E de repente já não estamos tão sozinhos como quando partimos.

27 março, 2009
Férias
Todos ansiosos por ficarem de férias da escola e uns dos outros, porque no fundo, no fundo, gostamos muito uns dos outros, mas chega um dia em que já não nos podemos ver à frente e precisamos todos (professores e alunos) de férias uns dos outros para respirar e recomeçar com nova energia.
Balanço final: tudo o que é bom dá muito trabalho, cansa, ocupa tempo e espaço mental (mesmo quando se está fora da escola)... mas quando é bom (quando se gosta), é mesmo muito bom.
06 fevereiro, 2009
Histórias do Sul
29 janeiro, 2009
mundo, liberdade e agricultura
(Não tirei fotografias antes e depois, ou seja, esta imagem não é do meu bonsai...)
A questão é: não sei como podar um bonsai. Deduzi que devia tentar orientar o crescimento dos ramos preservando uma imagem global que me parecesse natural. Não sei se o que fiz está bem ou se está mal, mas se a árvore morrer entretanto acho que vou ter a minha resposta. Se ela sobreviver fico na mesma: não sei se foi porque eu podei bem, ou se foi o bonsai que resistiu à agressão por teimosia. (uma coisa é certa, o bonsai está a durar mais tempo do que todos os peixes que me ofereceram antes dele)
Segundo me lembro do que já li, os ramos do bonsai não devem cruzar-se uns com os outros, devem ter espaço para crescer de forma confortável. Depois há aquela questão do tronco fazer um S... mas isso está nitidamente fora do meu alcance!
É difícil cortar ramos, nunca sabemos se estamos a fazer a opção certa; é didícil cortar com o supérfluo e deixar só o que é essencial, embora depois de cortar pareça óbvio que viver com menos nos dá mais liberdade de movimento e até de pensamento. É difícil dizer não, quando se é constantemente bombardeado com opções, necessidades, imposições. É difícil resistir e manter a velocidade escolhida quando a toda a volta o mundo se movimenta ao dobro da velocidade, incitando ao passar: faz mais isto e mais aquilo, olha esta oportunidade, vira ali, corre acolá.
[imagem daqui]
23 janeiro, 2009
outros blogs
seth's blog
David Fonseca - Song to the Siren / Who Are U? - Sudoeste 08
Eu não estive no Sudoeste, estive ontem no Coliseu do Porto e foi muito bom!!! Aqui ficam 3 videos do Sudoeste para lembrar a noite de ontem e para aqueles que não tem visto o que o litle david boy anda a fazer :-)
das palavras e dos actos
21 janeiro, 2009
Senhora do Almurtão
Faz lembrar outros tempos... os bons velhos tempos (que afinal não foram assim há tanto tempo). Um dia destes ensino esta aos míudos...
as aulas
Introdução à flauta de bisel...
muito motivador para os alunos, difícil para quem os ouve...
09 janeiro, 2009
a neve improvável
Já não me lembrava de ver nevar, mas hoje vi. Saí com os míudos da sala e viemos para o recreio ver. A maior parte nunca tinha visto nevar por isso o entusiasmo foi geral.
- Professora, parece que é Natal!
Porque os postais de Natal tem uma neve que nunca vemos cá. Hoje estivemos todos no recreio, dentro de um desses postais de Natal.
08 janeiro, 2009
07 janeiro, 2009
Ano novo
11 dezembro, 2008
tempo para apreciar as cores do poente quando volto para casa, tempo para estar em silêncio, tempo para beber chocolate quente, tempo para almoços e jantares de natal, tempo para passear com a família.
Só não sobra tempo para arrumar o quarto... estranho...
David Fonseca - Kiss me, Oh kiss me
Como se faz uma canção? Este vídeo dava uma boa aula:)
20 novembro, 2008
Entre les murs - A turma
Numa época em que tanto se fala e se discute o ensino em Portugal, recomenda-se um filme francês que ganhou a Palma de Ouro em Cannes... Entre les murs
Um documentário ficcional: uma turma multiétnica e um professor de francês em eterna negociação, tentando coordenar regras e sentimentos, ensino e diálogo, liberdade e disciplina. Um retrato fascinante dos desafios e das dificuldades que se vivem nas salas de aula todos os dias.
13 novembro, 2008
o sinal
gosto das cores do outono. apetece-me sair de casa de máquina em punho e fotografar as árvores do caminho, uma a uma, como quem recorta o instante suspenso de uma folha prestes a cair e cola essa imagem na retina e na memória até outro tempo e outra luz a apagar. gosto das cores e dos cheiros da terra, e da geada anunciando a branco um inverno próximo. gosto do ar muito frio na cara, das iluminações de natal rasgando a noite, do fumo e do sabor das castanhas assadas na rua... porque sinto em todas as coisas a esperança tangível de um amor anunciado.
imagem daqui
07 novembro, 2008
silencio
podia dizer-te com palavras
coisas normais dos dias e das pedras,
coisas do andar e do fazer.
podia dizer-te com palavras
coisas simples e claras,
coisas do sentir e do ser.
mas não direi nada
que não saibas já,
por isso calo todas as palavras
e procuro dentro de mim a tua voz.
24 outubro, 2008
Joni Mitchell - California (BBC)
a paz não é só um sonho. daqui não conseguirei, talvez, lutar pela paz do outro lado do mundo, mas vale a pena perceber se onde estou construo paz ou causo discórdia e desunião. onde me sinto em paz? como transmitir paz? ser quem se é dá paz interior, aceitar os outros como são deve dar-lhes paz a eles... digo eu... será?
Provérbio chinês

"Para que possas beber vinho num copo que está cheio de chá,
é necessário primeiro tirar o chá. Só então poderás servir e beber o vinho."
fotografia de Ernest von Rosen, www.amgmedia.com
do fazer, do estar e do sonhar
Penso muitas vezes e repito-o para mim própria: não há tarefas menores. Depois na prática nem sempre me lembro disso. Hoje volto a esta ideia, com mais vontade ainda de a pôr em prática. Se a cada pequena tarefa, se em cada pessoa que encontro colocar toda a minha dedicação, cada encontro e cada tarefa ganha um novo sentido. Eu realizo-me mais porque estou presente naquilo que estou a fazer, sou mais feliz e faço mais felizes os outros. Não quero com isto dizer que devo viver prisioneira do presente. Posso estar dedicada ao presente e elevar os olhos para o futuro, com esperança, com confiança, posso e devo sonhar mais alto e melhor. Aliás se viver bem o presente, com as suas dificuldades e sofrimentos, com as suas alegrias e oportunidades, se levar a vida a sério e lhe procurar sentido, vou com certeza sonhar melhor.
18 outubro, 2008
11 outubro, 2008
a cada coisa o seu tempo
Hoje é Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, por isso recomendo:
- uma visita ao site da Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos:
http://www.apcp.com.pt/
- a crónica de ontem da Laurinda Alves:
http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/143383.html
- e já agora uma pequena entrevista da Laurinda Alves ao Dr. Daniel Serrão:
http://videos.sapo.pt/ZiDcVPzBqoAmulonel2G
08 outubro, 2008
do tempo que demoro chegar a casa
nessas horas em que me sobram palavras
não te digo nenhuma,
antes cerro os dentes,
sustenho a respiração
e fico ali imóvel
perante o desenrolar invisível
desse fio, desse rio, desse mar de
palavras infindáveis e mudas
que não te direi.
fico ali como fonte inesgotável,
guardando a água para o lado de dentro
(até me constipar de desesperança):
não há palavras que me sirvam,
não há palavras que nos sirvam.
nada do que eu penso me pode explicar,
nada do que eu sinto te pode salvar,
onde eu sou tu já não estás,
onde tu és eu nunca estou.
às vezes porém,
regresso a casa com esse travo na boca
do deserto e da sombra
que trazes nos teus passos...
(porque não pressinto em ti nenhuma luz)
regresso a casa e demoro a chegar,
demoro a recuperar dessa dor
que não te larga,
dessa resignação, dessas cinzas,
dessa morte que te habita antes do tempo,
regresso a casa e demoro a deixar-te.
sem tempo
parece que tenho tanto tempo livre no horário, mas não me sobra tempo nenhum, ando sempre atrasada, sempre a correr, continuo a não ter tempo para nada... estranho... ou é dos meus olhos, ou da minha falta de disciplina, ou... é o tempo que passa a correr... logo agora que estava a gostar tanto de ler:
imagem 1 daqui
imagem 2 dali
25 setembro, 2008
David Fonseca - Kiss Me, Oh Kiss Me
"So when the fight is over,
And the storm is through,
Now will you pick another?
What will you get into?
So you stand in the corner,
With those boxing gloves on you,
You’re old, scared and lonely,
Yeah we’ve all been there too…
We’ve been all there too…
Kiss me, oh kiss me,
If that can make it right.
Try me, find me,
Just throw them on me…
Those failed expectations…
Floods and afflictions you’re through.
Cause I just might, take them home with me."
(...)
04 setembro, 2008
os dias do bandido
chegou ontem...
um livro, dois cds, 79 faixas, 10 anos, um homem, muitos convidados... uma obra.
o que é uma obra pode dizer do seu autor?
muito depende do que o autor nos deixa ver...
se alguém se atreve a fazer um objecto assim, inclassificável no conteúdo e na forma porque pessoal, e pessoal também na construção, no tempo que demorou, se alguém se atreve... gostem ou não gostem, há coragem e há verdade. as duas já são raras e juntas ainda mais. e também há talento, neste caso.
02 setembro, 2008
os últimos dias
aqui onde o tempo não passa
eu sou
esta sede de encontro e distância,
eu sou
a memória da esperança,
eu vou
voltar ao zero, ao princípio, ao silêncio,
apagando todas as marcas
que me deixaram na pele.
eu principio
e ninguém me procura as asas
(não sabem).
eu quero, ser
terra de ninguém.
esse instante suspenso numa gota de orvalho
antes de cair
MESA - Boca do mundo
...é esta a música destes dias sem direcção. outra vez no espaço invisível, indizível. estou no intervalo, no espaço entre... a arder os inevitáveis sentidos dos outros. é isto o presente.
"por fim, por fim
sinto a vida que passa,
na boca do mundo
não se sabe quem é quem"
22 agosto, 2008
coisas com luz
não dar tanta importância às coisas
às coisas?
às coisas em geral
imagem daqui
20 agosto, 2008
Primeiros dias num call center
terça, dia 2 = são 23h, log off. não correu tão mal... consegui ter apetite para jantar, consegui dormir, sem dores de cabeça
quarta, dia 3 = ?
18 agosto, 2008
olhares
fico a perguntar-me: e eu, o que andarei a transmitir aos outros? mais luz ou mais sombra?
17 agosto, 2008
Pormenores
16 agosto, 2008
Nota
Mário Laginha Trio - Tanto Espaço
tocaram esta música ontem nos jardins do Palácio de Cristal (entre outras)...
é bom ouvir jazz sentada na relva, sentindo na pele o ar frio da noite enquanto a lua descia no céu por entre as folhas das árvores.
ao ouvir esta música é preciso respirar nos tempos certos: dentro de nós há tanto espaço, (entre nós) há tanto espaço...
Herbie Hancock Feat Corinne Bailey Rae - River
uma das músicas que ouvi ontem. mas esta versão da Corinne faz-me parar. há algo de infantil no sussurrar e tanto de cuidado e de contido na forma como canta. um equilíbrio frágil. parece que se pode partir a qualquer instante (é preciso ouvir com a mesma delicadeza)
09 agosto, 2008
com vista para o céu
há viagens que tenho que fazer. sozinha muitas delas. aparentemente. muitas vezes até para mim pareço parada, parece que a vida é que passa por mim, mas estou em viagem, constantemente. hoje já nada em ti me pode deter, já nada em mim te pode perder. posso parar, quando puder dizer: a minha paz está dentro de mim, a minha casa está dentro de ti.
1 de maio de 2008
04 agosto, 2008
tempo II
e porque tinha tempo não parei.
fui ao cinema:

O cavaleiro das trevas
um brilho estranho é certo, o raiar da loucura e da violência gratuita,
sem leis, sem limites, pelo puro prazer do caos...
assustador portanto.
a reflectir dos outros o lado mais frágil,
a alimentar-lhes as dúvidas e as limitações...
somos capazes de viver os nossos princípios até às últimas consequências?
fui ao teatro:
Platónov
uma peça sem heróis, o retrato de uma sociedade decadente.
um homem no centro da história
que se deixa arrastar na sua própria pele,
preso nas suas teias e nas suas relações...
pela inacção vai-se corrompendo e vai corrompendo tudo e todos.
porque ser livre implica fazer opções, Platónov, o homem, não se liberta nunca,
nem liberta ninguém.
fui a um concerto:
Herbie Hancock e convidados
ouvir jazz no meio de uma multidão,
não é coisa que procure muito, aconteceu.
felizmente quando fecho os olhos
estou sozinha
estou só a ouvir com o corpo inteiro,
e ouvir é não pensar.
tempo I
depois de um ano a escrever a tese, as provas duraram 1h,30... parece curto. (há peças de teatro mais longas). correu bem (falta-me aprender francês para ser a donzela perfeita). desde então ainda não parei, mas no fim de semana reparei que o tempo é todo meu... estranhei, mas sou capaz de me habituar.
24 julho, 2008
duas noites seguidas a dois séculos de distância
Na primeira noite, música sacra de Antonio Vivaldi (1678-1741) - Stabat mater, Nisi Dominus, entre outras - interpretada por um agrupamento instrumental e um contralto italianos. Uma voz invulgar a dar vida aos sentimentos e às cores que Vivaldi colocou nas suas composições virtuosas... há melodias tão claras e luminosas nas suas obras que soam certas e parecem fáceis. Sabe bem estar viva para poder ouvir coisas destas ao vivo e a cores. Até a dor parece que dói menos porque soa tão bem.
Na segunda noite chegou a inquietação através das obras de Olivier Messiaen (1908-1992), das quais destaco uma: Quatuor pour la fin dus temps. E o fim dos tempos de Messiaen é inquietante, desgastante e depois tempestuoso... como só a natureza pode ser. Mas também é silêncio e depois do silêncio desolação. Porque depois da tempestade de Messiaen vem a desolação de perceber que é uma tempestade de violência sem vida. A desolação de um planeta desabitado. Mas até num planeta desabitado nasce o sol ao som de um violoncelo. Até num planeta desabitado, na última noite do último dia, a lua se ergue no céu reflectindo a luz do último solo de um violino.
Curiosidades curiosas
Messiaen, compositor francês, organista, e ornitólogo compôs este Quatuor pour la fin dus temps enquanto esteve preso, para os quatro instrumentos disponíveis: piano, violoncelo, violino e clarinete e foi ainda na prisão que esta obra foi pela primeira vez interpretada por ele e outros prisioneiros para os guardas e restantes presos.
Messian sofria de uma forma moderada de synaesthesia que se manifestava pela percepção de cores quando ouvia certas harmonias, particularmente as harmonias construídas a partir dos modos de transposição limitada (compilados por ele), e usava combinações dessas cores nas suas composições.
11 julho, 2008
II
cala-te.
ouve...
é este o lugar.
aqui na terra do poema,
aqui se cruzam todos os rios do meu passado,
aqui nascem todos os rios do meu futuro.
quem eu sou?
não interessa.
aqui sou silêncio.
aqui me curvo em reverência.
10 julho, 2008
em vão
um dia alguém há-de encontrar esse corpo que é teu
que tu dizes que morreu
e que recusas procurar.
(que recusas reclamar.)
branco-luz
cala-te!
cala-te já
enquanto ainda há sentidos escondidos.
não acredito em nada do que dizes,
palavras vãs, sentimentos - pedras na garganta
- interrompidos.
não venhas agora. o tempo espera.
as coisas claras demoram a nascer,
mas quando chegam
destroem casas, derrubam muros,
inundam vidas com seu eterno amanhecer.
(sem título)
um dia,
quando chegares,
reconhecer-te-ei pelas mãos.
não que as tuas mãos tenham algo de especial.
para todos os outros são umas mãos perfeitamente normais.
ninguém sabe, senão eu, que as tuas mãos já são minhas,
ninguém as conhece como eu que sempre as conheci.
não vou sequer dizer que as tuas mãos encaixam nas minhas
porque as minhas são pequenas e as tuas grandes demais:
nas tuas mãos cabe o tempo, a terra, o meu corpo inteiro,
nas tuas mãos beberei da chuva a primeira água das manhãs.
um dia,
quando chegares,
não vais saber quem sou eu,
só as tuas mãos reclamarão aquilo que já é teu.
sono leve, rente à pele, quem me vem adormecer?
no dia em que me tocares, saberás porque nasci.
09 julho, 2008
Expectativas vs. realidade
simultaneamente não consigo ver onde é que responder a todos estes estímulos e expectativas sociais torna as pessoas mais felizes. Será que me dou ao trabalho de perceber o que as pessoas são e sentem para além daquilo que aparentam? será que pergunto: tudo bem? e não como estás? E se pergunto como estás? fico tempo suficiente para ouvir a resposta verdadeira ou não tenho coragem porque corro o risco de ouvir o desabafo ou de me aproximar demais do outro, sentir a sua alegria e a sua dor? Será que aposto na qualidade das minhas relações? Será que dou tempo e espaço para me aproximar de alguém e para as pessoas se aproximarem? É difícil, dá trabalho, as pessoas são a maior parte das vezes, confusas, complicadas, não estão sempre bem-dispostas, não são sempre engraçadas... mas ter relações com profundidade não trará outra satisfação, mais disponibilidade de ambas as partes, menos preconceitos, mais aceitação do outro, mais compreensão, mais caridade, mais amor no fundo? porque só se ama quem se conhece.
02 julho, 2008
Radiohead - Idioteque
e com esta termino... entrando na órbita do cometa radiohead à velocidade alucinante de idioteque. definitely in the mood for radiohead.
Kings Of Convenience - Cayman Islands
o elogio das coisas claras, reduzidas ao essencial. as palavras quase sussurradas:
"if only they could see, if only they had been here
they would understand, how someone could have chosen
to go the length I've gone, to spend just one day riding
holding on to you, I never thought it would be this clear"
Miles Davis - Move - Birth of the Cool
esta não está completa... é uma amostra e quem quiser mais que vá procurar...
se o meu pensamento se pudesse ouvir sob a forma de música, às vezes soaria mais ou menos assim.
Bobby Mcferrin improvisation with Richard Bona
qualquer coisa completamente diferente...
sabe a terras distantes e a ventos quentes, fortes, lentos. sabe a florestas claras com um travo de sal.
portas e janelas II - inside my mind
01 julho, 2008
Vivaldi - Stabat mater (RV 621) - Andreas Scholl
à procura da perfeição...
parece fácil.
Nina Simone - Feeling good
Aqui como pano de fundo na promoção da 4.ª série de Sete Palmos de Terra. Tudo muito bom. Realmente aquelas laranjas estavam mesmo a pedi-las...
portas e janelas de música
vou ilustrar o que disse com as minhas músicas preferidas.
21 junho, 2008
liberdade
quanto serei eu capaz de dar de mim sem pedir nada em troca? há dias em que esta luta me dói até à alma (que é onde as coisas difíceis doem). há dias em que só desejar ser assim já é uma vitória. há dias em que só de tocar ao de leve nessa promessa de liberdade, e senti-la ganhar corpo, dá sentido a todos os fracassos, a todos os desânimos e faz desejar ir mais longe (ou ir mais fundo).
mais uma fotografia do jardim cá de casa
12 junho, 2008
Coldplay - Violet Hill
estão de volta...
Gosto bastante da cor que os instrumentos de corda trazem para Yes e Viva la vida. Mas Viva la vida é muito mais do que essa ambiência, é a afirmação de um risco que valeu a pena correrem, é a batida do coração nos novos coldplay, sintam-lhes a pulsação. A mesma pulsação que se ouve em Violet Hill. No fim não se vão embora sem respirar fundo ao som de Strawberry Swing que já está longe da terra de Violet Hill, já é outro lugar, ou talvez seja um caminho, um caminho para chegar a Death and all his friends. e não se pense que Death and all his friends soa a fim, não, soa a princípio: boa viagem!
01 junho, 2008
My blueberry nights


qual é a distância entre duas pessoas? quanto tempo é a distância entre duas pessoas? quanto quanto tempo se demora a atravessar a perda? quanto tempo se demora a atravessar o tempo?
há muito tempo que não via um filme em que o tempo é uma das personagens. em que as coisas tem tempo para acontecer; em que as personagens tem tempo para falar e para calar, para perder e para se perderem; em que para encontrar não é preciso procurar é preciso desistir.
o que nos tira o sono? o que nos tira o chão? e quando isso acontece qual a distância que temos que percorrer? qual a largura desta estrada? quantos passos tem? quantos quilómetros? quantas pessoas? quanto tempo? o tempo entre estar e encontrar. pode ser um passo. pode ser um ano. pode não ser.

probabilidades
Esse homem tinha um amigo. O amigo era um homem muitíssimo desorganizado. Deixava-se sempre guiar pelo acaso, pelo inesperado. Era imprevisível, até para si próprio, o que iria fazer a seguir, ou onde iria estar.
Era para todos um mistério como é que estes dois homens se tinham encontrado. Era um mistério ainda maior como é que eles se continuavam a encontrar.
Se os encontros destes homens eram resultado da imponderabilidade de um, ou da constância do outro, (ou de uma terceira instância) ninguém sabia ao certo, mas, o facto, é que os encontros aconteciam, se repetiam, contrariando todas as probabilidades.
















