caminho como quem traz permanentemente
um segredo invisível na mão,
uma pequena luz guardada sob a pele
na direcção do coração
que muda quase imperceptivelmente a cor
das ruas, dos outros, dos dias.
caminho como quem traz permanentemente
um segredo invisível na mão,
uma pequena luz guardada sob a pele
na direcção do coração
que muda quase imperceptivelmente a cor
das ruas, dos outros, dos dias.
quando o que quero é dizer coisas simples:
pedra, mão, rio, mar, terra, fogo, ar
e só me saem redes intrincadas,
frases complexas, palavras complicadas,
devia respeitar as regras do jogo
e desaparecer, agora, enquanto não está ninguém a ver,
mas quem disse que eu sei jogar?
(era) segredo
eu que nunca sei dizer o que sinto (mais depressa fujo, mais depressa minto) e detesto que me vejam chorar (mais depressa coro, mais depressa finjo ter um cisco no olho ou uma alergia ao oxigénio do ar) comovo-me em segredo, por tudo e por nada, a toda a hora, em qualquer lugar.
(e ainda é)