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06 novembro, 2012

Matisyahu - Miracle (New Acoustic Version)



Uma música cheia de boa energia.
Ouvir de manhã, à tarde ou à noite. Aumentar o volume. Deixar contaminar os dias.


01 setembro, 2011

Magis 2011: Peregrinar

Ainda estou a tentar fazer o balanço destas férias. E não me atrevo a grandes conclusões por suspeitar que há experiências, pessoas, encontros, descobertas cujas repercussões só poderemos avaliar mais tarde, pelos frutos. As árvores (e as vidas) avaliam-se pelos frutos.
Tenho para mim que não é só a viagem que me seduz, mas todas as dimensões do peregrinar. Viajar caminhando, devagar, com tempo para estar nos lugares e para estar com as pessoas, com tempo para conversar, com tempo para parar, com tempo para ter tempo. Viajar com pouco, deixando o supérfluo para trás e procurando o essencial. Viajar com as dificuldades e fragilidades que o caminho faz questão de revelar. Viajar com sentido e objectivo para uma meta que não é necessariamente o lugar de destino, mas um novo olhar, uma sabedoria que do caminhar se traz para a vida. E depois, cada destino é também o ponto de partida para um nova viagem, para um regresso, ou para uma nova partida.
Pode às vezes parecer rotineira a viagem da vida. Daí a importância de trazer um olhar renovado para a rotina de todos os dias. E a coragem de enfrentar medos e de nos propormos a ultrapassar obstáculos, mesmo que eles nos pareçam, à partida, montanhas intransponíveis. Afinal, depois de subir a primeira montanha impossível todas as outras nos parecem mais acessíveis.
Podemos nivelar a nossa vida por baixo, correr poucos riscos, viver agarrados às nossas velhas seguranças, achar que não somos capazes de mais e melhor, mas é mentira. Os ideais só são ideais se forem elevados. E há algum risco maior do que a vida desperdiçada? O melhor é não nos satisfazermos com pouco quando o coração pede magis. Correr o risco de trilhar vales e montanhas. Até porque as montanhas sobem-se todas da mesma maneira: um passo de cada vez. Entretanto, convém não esquecer de aproveitar a viagem e a paisagem, porque as metas que valem a pena são difíceis de alcançar.

Magis: Peregrinação entre San Sebastian e Arantzazu - 9 a 14 de Agosto de 2011

06 março, 2011

2+2=5


na música, como na vida, é essencial ser generoso.
tudo aquilo que se dá de forma desprendida, despretensiosa, sincera e alegre é sempre melhor do que aquilo que pensamos que tínhamos para dar.
a música, como a vida, é feita de relações, onde, às vezes, se observa inesperadamente que o resultado final é superior à soma das partes: afinal sempre há lugares onde 2+2=5. E podiam ser muitos mais...

hoje, ou melhor, ontem, foi um prazer encher de música e vozes e vida o palacete pinto leite, hoje esvaziado dos móveis, dos instrumentos, dos professores e alunos do conservatório de música, mas não esvaziado da sua identidade, ou, por que não, da sua personalidade. porque há casas que absorvem e reflectem a história e as estórias que as habitaram, ecos de um passado que se projectam no presente, que nos contaminam e nos inspiram a fazer melhor. [somos duração e temos dentro de nós todos os tempos: o que já fomos, o que hoje somos e o que seremos.]


01 dezembro, 2010

um dia mais perto


caminho como quem traz permanentemente
um segredo invisível na mão,
uma pequena luz guardada sob a pele
na direcção do coração
que muda quase imperceptivelmente a cor
das ruas, dos outros, dos dias.


16 setembro, 2010

Academia de Verão











há imagens que valem muitas palavras, dias que valem vários meses, encontros que dão sentido a anos de desencontros. os últimos dias de férias foram afinal os primeiros. os primeiros em paz e em esperança. os que trouxeram mais respostas e novas perguntas. e sede, sede de mais. mais verdade, mais liberdade, mais coragem, mais conhecimento, mais integridade, mais transparência... parece às vezes que são demasiados desejos para uma pessoa só, mas a mim faz-me pensar: por que me deixo viver tanto tempo com menos, satisfeita com pouco, sem sonhar mais, sem procurar as respostas, (e as perguntas), alheia à minha própria sede... é estranho, não é?



29 abril, 2009

Fortaleza

Há portas que temos que atravessar sozinhos. Para além do medo, para além do tempo, para além de nós mesmos e das nossas defesas.
Há portas através das quais nos dividimos, e outras que nos deixam mais inteiros.

Esta foi a primeira porta que atravessamos na Peregrinação dos centros. Da qual voltamos sozinhos, mas unidos a todos os que lá estiveram por um mesmo ideal. E de repente já não estamos tão sozinhos como quando partimos.




Fortaleza de Almeida, século XVII
fotografia retirada daqui

11 dezembro, 2008


O tempo mostra-me que as horas de aulas que estão no horário se multiplicam fora do horário: horas para preparar as aulas, horas para corrigir trabalhos, horas para escrever planificações e avaliações, horas para reuniões, horas para procurar e comprar material, horas para ir e para voltar. Acaba por sobrar pouco tempo, pouco mas que ainda chega para os ensaios coro, os ensaios da festa de natal da catequese, o atelier de escrita criativa, tempo para ouvir "Dreams in colour" do David Fonseca...













tempo para ler os "Contos de Beedle o Bardo" de J. K. Rowling...
















tempo para apreciar as cores do poente quando volto para casa, tempo para estar em silêncio, tempo para beber chocolate quente, tempo para almoços e jantares de natal, tempo para passear com a família.
Só não sobra tempo para arrumar o quarto... estranho...


13 novembro, 2008

o sinal


gosto das cores do outono. apetece-me sair de casa de máquina em punho e fotografar as árvores do caminho, uma a uma, como quem recorta o instante suspenso de uma folha prestes a cair e cola essa imagem na retina e na memória até outro tempo e outra luz a apagar. gosto das cores e dos cheiros da terra, e da geada anunciando a branco um inverno próximo. gosto do ar muito frio na cara, das iluminações de natal rasgando a noite, do fumo e do sabor das castanhas assadas na rua... porque sinto em todas as coisas a esperança tangível de um amor anunciado.



imagem daqui


24 outubro, 2008

do fazer, do estar e do sonhar


Penso muitas vezes e repito-o para mim própria: não há tarefas menores. Depois na prática nem sempre me lembro disso. Hoje volto a esta ideia, com mais vontade ainda de a pôr em prática. Se a cada pequena tarefa, se em cada pessoa que encontro colocar toda a minha dedicação, cada encontro e cada tarefa ganha um novo sentido. Eu realizo-me mais porque estou presente naquilo que estou a fazer, sou mais feliz e faço mais felizes os outros. Não quero com isto dizer que devo viver prisioneira do presente. Posso estar dedicada ao presente e elevar os olhos para o futuro, com esperança, com confiança, posso e devo sonhar mais alto e melhor. Aliás se viver bem o presente, com as suas dificuldades e sofrimentos, com as suas alegrias e oportunidades, se levar a vida a sério e lhe procurar sentido, vou com certeza sonhar melhor.

25 setembro, 2008

David Fonseca - Kiss Me, Oh Kiss Me


"So when the fight is over,
And the storm is through,
Now will you pick another?
What will you get into?

So you stand in the corner,
With those boxing gloves on you,
You’re old, scared and lonely,
Yeah we’ve all been there too…
We’ve been all there too…

Kiss me, oh kiss me,
If that can make it right.
Try me, find me,
Just throw them on me…
Those failed expectations…
Floods and afflictions you’re through.
Cause I just might, take them home with me."

(...)

22 junho, 2007

relativizar



rir, rir bem alto, rir se tropeço, ou se me apanho em flagrante a cometer o mesmo erro outra vez (como quando espero que os outros façam aquilo que eu gostaria que eles fizessem), rir das minhas falhas, e da minha falta de memória, rir na cara do desânimo que me quer fechar janelas no coração. rir da minha nuvem particular que chove só para mim quando estou triste. rir da irritação desproprositada e da cara altiva da teimosia e da tristeza exagerada...

rir, mas não ser leviana.
rir para relativizar certas coisas, mas estar atenta e não deixar passar valores e ideais para lado das coisas relativas, ou ficaria sem centro, sem nada a que me agarrar.
rir, mas não ser fútil, não desvalorizar o que é importante para os outros, não relativizar os seus valores, nem menosprezar as suas dores...
fronteiras tão ténues e tão fáceis de ultrapassar.






imagem encontrada aqui

04 junho, 2007

here comes the sun...

o sol está aí, se veio para ficar ou não... não sei, mas que importa?
sol é menos roupa, mais luz, mais optimismo,
mesmo sem esforço sentimo-nos melhor, mais leves...
é uma boa forma de começar a semana, com sol,
ao som da nina simone aqui




01 junho, 2007

+ Amigos do Gaspar

"há aqui um lapso inopinado na tabuleta"

Amigos do Gaspar

a recordar...

...bons tempos.

15 maio, 2006

P.S.

gosto de portos seguros,
gosto de conduzir de manhã cedo,
gosto de andar à chuva,
gosto de banhos de água fria,
gosto de pequenos pormenores,
gosto de provocar,
gosto de arriscar,
gosto de abraços apertados,
gosto de dançar de olhos fechados,
gosto de sonhos grandes,
gosto de gavetas de tralha,
gosto de ler um livro até ao fim,
gosto de albuns de fotografias,
gosto de lágrimas disfarçadas,
gosto de famílias barulhentas,
gosto de teatro, cinema, música e poesia,
gosto de viver,
gosto de pensar um dia de cada vez,
gosto do mar,
da terra,
mas principalmente,
gosto de gente.
gosto de me molhar quando vou à fonte buscar água,
gosto de sumo de cenoura e de queijo com quase tudo,
gosto de vir a pé para a faculdade,
e de parar às vezes no meio do caminho simplesmente para estar,
gosto de observar as pessoas que passam por mim sem olhar,
gosto de ouvir certas músicas quando estou triste,
gosto de escrever, sobre muitas coisas, ou sobre quase nada,
gosto de conversas inofensivas, às vezes,
e de filmes "de gaijas" (que fazem chorar)
gosto de chocolate e de gelado e de iogurte com bolachas,
gosto sentir o vento frio na cara quando me dói a cabeça de não perceber,
gosto de me rir das conversas de sempre e das piadas de sempre
dos meus amigos,
gosto de conversar sobre questões existenciais que na prática não levam a lado nenhum,
e estão tão tão tão longe da vida real,
gosto de fazer certas coisas sozinha,
gosto de ouvir a nina simone a cantar,
gosto das piadas do luís
e dos palavrões que ele diz quando está irritado,
gosto da gargalhada da daisy
e do seu coração enorme,
gosto de ouvir a isabel falar das suas paixões,
e de a ver dançar,
gosto das conversas de pé de orelha com a susana e a ana luísa,
da capacidade da ana se impor devagar,
e do instinto maternal da susana,
gosto das idas para coimbra com o fred e o joão
(embora passe a viagem toda a dormir)
gosto de discordar das teorias do joão,
e da sua postura séria ao aconselhar,
gosto da sabedoria silenciosa e prática do fred,
gosto das loucas loucuras do rui,
dos comentários incisivos da gabriela
e da presença serena da andreia,
gosto desta família desordenada que somos,
gosto quando nos tornarmos todas donas de casa de faz de conta em chaves,
gosto de beber o vinho do porto com os rapazes,
gosto dos lanches com a denise e o miguel,
das mil viagens que planeamos juntos
e das conversas enormes e que às vezes parecem não chegar a nenhum lugar,
gosto da luz do miguel
e da objectividade e clarividência da denise,
gosto de passeios à beira-mar,
gosto de conversas fora de horas,
gosto de capuccino, chocolate quente e cházinho
(nota: não é tudo junto, é cada um a seu tempo)
gosto de livros e filmes com profundidade,
gosto de conseguir fazer pequenas coisas que tinha decidido fazer,
gosto da sensação de dever cumprido e consciência tranquila,
gosto do cheiro do campo e do canto dos pássaros,
gosto de andar de bicicleta ao fim da tarde,
gosto de ti embora não o saiba dizer,
gosto de querer estar perto mesmo quando não tenho nada para dizer,
gosto de decisões difíceis, que de tão difíceis, não são decisões
são longos processos de descoberta de nós próprios e dos outros,
gosto desta teia de relações que se estabelecem de dentro para fora
como imensos braços que estendo em todas as direcções
como uma estrela do mar,
gosto de conhecer a minha solidão e de saber que ninguém a vai preencher,
gosto de acreditar que há um espaço onde duas solidões se podem tocar,
gosto de pessoas da aldeia, com a sua simplicidade à flor da pele,
gosto de me rir na cara da tristeza quando ela me ronda devagar,
gosto de me descobrir capaz de abdicar,
gosto de procurar o essencial,
gosto de liberdade responsável,
gosto de ser original,
gosto de não gostar de estar na moda,
e de não seguir a corrente,
gosto de "não curtir a vida",
mas sim levá-la a sério,
gosto de ouvir histórias de pessoas mais velhas,
gosto de gelados, faça chuva, ou faça sol,
gosto de pequenos rituais que me fazem sentir em casa,
gosto de estar fora de casa...
e depois voltar,
gosto das ideias claras do P. jorge,
e da sua constante correria contra o tempo,
e da forma delicada com que nos faz sentir próximos e família,
gosto da postura tímida e maternal da helena,
gosto da forma como a beatriz entrelaça as mãos quando está a falar,
gosto da ânsia de fazer e de contar e de avançar do paulo,
gosto da companhia da ângela e da sua vontade de querer estar,
e da forma elegante como se aproxima devagar,
sempre desejando ajudar,
gosto de ter uma família em cada lugar,
gosto de não falar muito e de ficar até tarde,
pelo simples prazer de estar,
gosto de cantar, à noite, à tarde, ao acordar...
gosto da profundidade da catarina,
gosto da força interior da antónia,
da sua capacidade de concretizar sonhos pequenos e grandes,
um de cada vez,
gosto da ingenuidade do manel,
do romantismo do pai,
da voz e da vocação definida da teresa,
da transparência da sara
e da força da mãe,
gosto daqueles de quem me esqueço,
daqueles que passaram e não voltaram,
e até daqueles que ainda não conheço.