Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens

07 fevereiro, 2011

de férias...


quinze dias de férias muito ansiados depois de um semestre exaustivo. nos primeiros dias dormi até tarde e não fiz nada de jeito... o que rapidamente se tornou enervante. será que estou viciada no trabalho? será que já não consigo não ter nada para fazer? é triste. já o tinha sentido nas férias de verão. se não tenho nada marcado não faço nada, nem sequer saio de casa e fico a vegetar. rapidamente fico deprimida e as férias tornam-se cansativas e não o contrário. A solução portanto é arranjar objectivos:

Ir ao cinema:
Biutiful
Cisne Negro
Indomável
O discurso do Rei

Ler:
Tudo o que sobe deve convergir - Flannery O'Connor
1 Km de cada vez - Gonçalo Cadilhe
Northanger Abbey - Jane Austen
Antígona - Sófocles
A queda de um anjo - Camilo Castelo Branco
Fragmentos - Novalis
Poesia - q.b. - Daniel Faria, Eugénio de Andrade, Sophia de M. B. Andresen

Reler:
Terra dos Homens - Saint-Exupéry

Ouvir:
Du Temps & de L'instant - Jordi Savall,...
Mongrel - Mário Laginha Trio
Sinfonia nº 1 e Vathek - Luís de Freitas Branco
Integral das canções - Luís de Freitas Branco
Lieder - Vianna da Motta
Xinti - Sara Tavares
Lungs - Florence & the Machine
Forbidden Fruit - Nina Simone
B Fachada - B Fachada
Riot on an empty street - Kings of Convenience
Kid A - Radiohead
Boxer - The National

Rezar
Escrever
Tocar piano
Tocar guitarra
Arrumar o quarto (...)
Fazer exercício (.............)
Ir ver o mar
Não fazer nada
Estar com os amigos
Fazer um plano para o dia
Ir comer jesuítas à pastelaria Moura

serão objectivos a mais? vou ficar frustrada se não conseguir atingir os objectivos? não sei, mas li algures que fazer planos é a melhor maneira de evitar a inércia e a indecisão. e não fazer planos também não parece estar a resultar... por isso vou tentar!


13 julho, 2010

Viajar...


em tempos de crise passam-se as férias em casa... mas há viagens que se podem fazer sem sair do lugar. um bom livro pode levar-nos a qualquer lugar... seja ele um livro de viagens, um romance, um livro de ficção científica ou um policial. um bom concerto pode fazer-nos viajar no espaço e no tempo, por terras estranhas, por praças e desertos, por cores e sabores até então desconhecidos, do oriente ao ocidente, das águas gélidas do norte aos quentes ritmos africanos...
e tudo isto por muito pouco dinheiro: nas bibliotecas municipais requisitam-se livros de graça; no verão há festivais de música para todos os gostos a preços para todos os bolsos.
(e se não quisermos mesmo "sair do lugar" podemos sempre viajar... na internet.)

na minha última viagem fui de Marrocos à Turquia, da Galiza à Alexandria, uma viagem no tempo e no espaço conduzida por Jordi Savall, Driss El Maloumi, Pedro Estevan e Dimitris Psonis. Para quem não esteve lá, mas gostaria de ter estado, basta esperar pela próxima visita de Jordi Savall (desta vez com os Hespèrion XXI) à Casa da Música no dia 6 de Novembro.

11 dezembro, 2008


O tempo mostra-me que as horas de aulas que estão no horário se multiplicam fora do horário: horas para preparar as aulas, horas para corrigir trabalhos, horas para escrever planificações e avaliações, horas para reuniões, horas para procurar e comprar material, horas para ir e para voltar. Acaba por sobrar pouco tempo, pouco mas que ainda chega para os ensaios coro, os ensaios da festa de natal da catequese, o atelier de escrita criativa, tempo para ouvir "Dreams in colour" do David Fonseca...













tempo para ler os "Contos de Beedle o Bardo" de J. K. Rowling...
















tempo para apreciar as cores do poente quando volto para casa, tempo para estar em silêncio, tempo para beber chocolate quente, tempo para almoços e jantares de natal, tempo para passear com a família.
Só não sobra tempo para arrumar o quarto... estranho...


08 outubro, 2008

sem tempo




parece que tenho tanto tempo livre no horário, mas não me sobra tempo nenhum, ando sempre atrasada, sempre a correr, continuo a não ter tempo para nada... estranho... ou é dos meus olhos, ou da minha falta de disciplina, ou... é o tempo que passa a correr... logo agora que estava a gostar tanto de ler:








imagem 1 daqui
imagem 2 dali

04 setembro, 2008

os dias do bandido


chegou ontem...




um livro, dois cds, 79 faixas, 10 anos, um homem, muitos convidados... uma obra.
o que é uma obra pode dizer do seu autor?
muito depende do que o autor nos deixa ver...





neste livro, neste album, nesta obra, Manel Cruz deixa a porta entreaberta e cada um encontra uma obra diferente, talvez. para além das letras está a escrita, para além das músicas estão os instrumentos e os sons, e a gravação em si, e a mistura... como quem segue as pistas de uma história indecifrável, seguem-se as páginas e as faixas desta obra, numa odisseia de instantes e sabores e humores... no limite só nos é dado a ver aquilo que o autor nos deixa ver. no limite só nos é dado a ver aquilo que somos. para aqueles que se reconhecem, para aqueles que procuram, para aqueles que se perdem, para aqueles que viajam com a mesma angústia por estes dias, por estes tempos, por estes sonhos. para esses é esta porta familiar, para esses é esta obra um princípio da explicação das insónias habituais. ou uma tentativa de explicação. para esses estas palavras estão debaixo da língua à espera de serem ditas. para esses estas músicas estão debaixo da pele à espera de serem sentidas. para os outros não sei.
se alguém se atreve a fazer um objecto assim, inclassificável no conteúdo e na forma porque pessoal, e pessoal também na construção, no tempo que demorou, se alguém se atreve... gostem ou não gostem, há coragem e há verdade. as duas já são raras e juntas ainda mais. e também há talento, neste caso.




28 agosto, 2007

Parar...



"Mon representa e significa uma porta. Se colocarmos debaixo da porta o signo do Sol, converte-se em Ma: espaço, umbral, margem, vão, vazio, intervalo, entre, pausa.
Chamamos cultura da pausa à tradição oriental de dar importância aos silêncios na conversação, às margens na pintura, aos vãos livres na arquitectura, ao não dito na mensagem e à receptividade na contemplação."



em A Sabedoria do Oriente - do sofrimento à felicidade
de Juan Masiá






Precisamos de pausas. vários tipos de pausas. pausas de instantes ao longo do dia, como que para respirar fundo e continuar. pausas de períodos curtos de tempo, para nos dedicarmos a algo diferente, um passatempo, uma actividade desportiva, um momento de leitura, ou até de contemplação num jardim, em frente ao mar, ou na varanda lá de casa, algumas vezes por semana, ou até, se possível, uma vez por dia. pausas de vários dias, ou algumas semanas, que normalmente designamos por férias, para sair da correria do dia a dia e descansar (embora nem sempre consigamos descomplicar de tão habituados que estamos já a estar sempre ocupados a fazer alguma coisa). pausas ao longo da vida, momentos de paragem antes de uma decisão importante. esse espaço entre. espaço de silêncio e de decisões. espaço depois de e antes de. importa dar valor a esse tempo. esse momento presente, com mais ou menos angústia, com mais ou menos duração, com mais ou menos peso na nossa vida futura. muitas vezes nem temos consciência da importância e das consequências de uma decisão. mas é hoje que ela se constrói e nos transforma.
todas as pausas são importantes. preciso tanto de parar para decidir, como de parar para respirar. felizmente nestas férias consegui um pouco das duas.
é importante parar... nem que seja...






... à velocidade da luz







fotografia do sítio do costume




25 maio, 2006

"a culpa é da vontade" é certo, mas a vontade não é suficiente para me re-inventar. sei quem não quero ser e aceito a inevitabilidade da nossa incompatibilidade circunstancial. por isso saio já, não sem dor, mas para evitar entrar lentamente numa espiral de ilusões e recriminações.
hoje estou febril, devo estar imunodreprimida, a garganta dói-me, tenho frio e calor intermitentemente... agora que penso, talvez seja por isso que consigo ser radical: é a febre a subir...
todos os dias sinto a urgência de estar e todos os dias aceito as tarefas insignificantes a que me propus e repito incansavelmente o mesmo caminho, como Sísifo empurrando a pedra montanha acima, interiormente revoltada com a minha inércia.
escolho a opção mais absurda, porque contrária aos meus instintos, porque racional e interiormente mais desgastante do que fazer de ti mais uma pedra no caminho. deixo-te cair. talvez um dia destes nos voltemos a cruzar e as nossa pedras sejam então mais leves e ocupem menos espaço permitindo-nos caminhar lado a lado e inventar outro caminho. talvez não. talvez seja só isto o que nos estava reservado: desencontros.
todos os dias enfrento a despedida. calo dentro de mim a asa ferida e esqueço-me de voar... um dia destes tenho que decidir se quero ser árvore ou ave... hoje não. em tempos conturbados não se tomam grandes decisões.
escolho o meu deserto, adopto a minha solidão. esvazio-o de palavras inúteis e passeio o meu silêncio por fora até ele fazer eco por dentro. tenho palavras demais e nada para dizer.



os ecos do livro, invadem o meu silêncio. talvez este livro já não seja sobre eles, mas sobre mim:



"Um postal. Uma caligrafia bem desenhada preenche o rectângulo.

Passo metade dos meus dias desesperada por não te poder tocar. O resto do tempo, sinto que não importa tornar ou não tornar a ver-te. Não é uma questão de moral, mas do ponto até onde chega a resistência de uma pessoa.

Nem data, nem assinatura."



"No deserto, um homem pode agarrar a ausência na concha das mãos, sabendo que tem nela um alimento mais precioso que a água. Conhece uma planta, próximo de El Taj, cujo coração, quando arrancado é substituído por um líquido cheio de virtudes medicinais. Todas as manhãs se pode beber uma quantidade de líquido de igual volume ao do coração ausente. A planta continua a florir durante um ano, até morrer de uma qualquer carência."


O doente inglês, Michael Ondaatje

23 maio, 2006

"«Todo Fluye», dijo Heráclito. Todo está en movimiento y nada dura eternamente. Por eso no podemos «descender dos veces al mismo río», pues cuando desciendo al río por segunda vez, ni yo ni el río somos los mismos."

El mundo de Sofía, Jostein Gaarder

até as esperas, momentos em que aparentemente paramos (às vezes
porque precisamos, às vezes porque não sabemos o que fazer,
às vezes porque os outros precisam e nos afastamos
lentamente até existir ar suficiente entre nós
para podermos ambos respirar) são
momentos de movimento,
lento movimento
do tempo
que
passa
sem cessar.
Parar para aprender
a estar em silêncio. Parar para
deixar passar as nuvens e voltar a ver claro.
Parar para olhar o sofrimento de frente e procurar
nele um caminho de renovação. Parar para crescer por dentro.
Parar para me tornar um mundo melhor para alguém.

Parar dificilmente será estar parado...
no fim, nem eu nem o rio seremos os mesmos.

19 maio, 2006

Leituras II

tão pouco tempo e tanto que contar.
decido continuar a citar os livros que ando a ler, como que abrindo portas de um vasto corredor... tantos quartos por desvendar.


"-Mitch não me permito mais auto-piedade do que isso. Um bocadinho cada manhã, umas poucas lágrimas, e pronto.
Pensei nas pessoas que conhecia que passavam muitas das suas horas de vigília a sentir pena de si mesmas. Que útil seria colocar um limíte de auto-piedade para cada dia. Apenas uns minutos lacrimosos, e depois vamos à vida. E se Morrie conseguia fazê-lo com a sua horrível doença...
-Só é horrível se a vires assim - disse Morrie - É horrível ver o meu corpo definhar lentamente até se tornar em nada. Mas também é maravilhoso todo este tempo para dizer adeus.
Sorriu.
-Nem toda a gente tem tanta sorte."
As Terças com Morrie, Mitch Albom


"Vivera um tempo de guerra em que tudo o que dava a ver aos que o rodeavam era mentira. Sentira-se como alguém escondido num quarto às escuras, a imitar o gorjeio de um pássaro.
Mas aqui viam-se despojados da sua pele. Não conseguiam imitar coisa nenhuma excepto aquilo que eram. Não havia outra defesa senão a de procurar a verdade nos outros."
O doente Inglês, Michael Ondaatje

18 maio, 2006

Leituras

ultimamente ando numa fase de leitura
(imagine-se se andasse numa fase de escrita)
por isso em vez de escrever, hoje deixo aqui duas passagens, uma de cada livro que ando a ler (pois é ando a ler dois livros... mas com regras... um só leio no comboio, o outro só leio em casa, antes de dormir, agora qual é qual?... não vou desvendar)


"-A coisa mais importante na vida é aprender como dar amor, e como deixá-lo entrar.
A sua voz baixou para um sussurro.
-Deixa-o entrar. Nós pensamos que não merecemos amor, pensamos que, se o deixarmos entrar, nos tornamos moles demais. Mas um homem sábio chamado Levine disse-o bem. «O amor é o único acto racional.»
Repetiu-o cuidadosamente, pausadamente, para fazer efeito.
-«O amor é o único acto racional»."
As Terças com Morrie, Mitch Albom


"-Julguei que ia morrer. Queria morrer. E julguei que se fosse morrer ia morrer contigo. Rapazes como tu, jovens como eu... vi morrer tantos ao pé de mim durante o ano passado! Não tive medo nenhum. Não foi coragem o que ainda agora me fez aqui ficar. Pensei com os meus botões: Temos esta casa, esta erva, devíamos ter-nos deitado juntos, abraçados, antes de morrer. Apetece-me tocar-te nesse osso do pescoço, na clavícula, que parece uma asa pequena e dura debaixo da tua pele. Sempre gostei de corpos da cor dos rios e das pedras, da cor do olho castanho de uma susana, conheces essa flor? Já viste alguma? Estou tão cansada, Kip, só me apetece dormir. Apetece-me dormir debaixo desta árvore, de cara encostada à tua clavícula, apetece-me fechar os olhos, sem pensar em mais ninguém, encontrar um nicho de árvore, trepar lá para dentro e dormir."
O doente inglês, Michael Ondaatje

17 abril, 2006

Caminhos (2)

"«Ama e faz o que quiseres». Esta famosíssima frase de santo Agostinho tem que se lhe diga. É que quem ama, só pode fazer o bem. E querer o bem é muito exigente. Não é «ama e faz o que te apetece», o que seria uma contradição. É antes: «Se amares de verdade, vais saber escolher o bem e o melhor.»"


Vasco Pinto Magalhães, em "Não há soluções, há caminhos"

Caminhos (1)

"Um bom coração é o que entende a alegria e a tristeza dos outros. É o que entende, por dentro, e tem coragem para lutar e sofrer pelo bem do outro. O bom coração vê o que é bom para o outro e faz tudo para o conseguir. O bom coração vê, entende, promove. E fica a bater sozinho se a liberdade do outro o pedir."


Vasco Pinto Magalhães, em "Não há soluções, há caminhos"