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04 dezembro, 2012
Citação
A mansidão do amor não é pura quietude.
Amar não é estar enamorado.
Estar enamorado é um estado. E um estado sofre-se.
O amor é um acto, uma sucessão de actos em cadeia, uma guerra boa portanto.
O amor é inventivo até ao infinito...
D. António Couto
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19 outubro, 2012
23 agosto, 2012
28 maio, 2012
I Wish I Knew How It Feels To Be Free (Live) - Nina Simone
Porque há coisas que não podem ser explicadas. um saber que nos atravessa, mas que não nos pertence, que não conquistamos, realidade experimentada que não pode ser contida nas palavras limitadas que usamos: liberdade, amor, verdade, justiça,...
"the one who knows does not say, the one who says does not know" (Anthony de Mello)
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10 dezembro, 2011
O olhar e o ver
em tempos de crise, e em todos os tempos, há pessoas que desistem e pessoas que reconhecem e agarram as oportunidades, há pessoas que bloqueiam e pessoas que sabem recomeçar uma, duas, três... as vezes que for preciso, há pessoas que se fecham em si mesmas e pessoas que se abrem aos outros. e não quero com isto dizer que o mundo se divide em dois tipos de pessoas, mas que nós, em diferentes tempos, podemos ter diferentes reacções aos acontecimentos, às pessoas, aos sentimentos.
a qualidade do olhar é um factor preponderante. como vemos? o que vemos? continuamos a maravilhar-nos, ou tudo nos parece mais do mesmo? arriscamos expor-nos, ou temos uma imagem a defender? quando vemos injustiça, sofrimento,... sentimos-nos interpelados ou tornámo-nos indiferentes? o que vemos nos outros? os nossos pré-conceitos? os nossos pré-desejos? será que lá no fundo, bem no fundo, inconfessavelmente, ainda achamos que temos o direito de ser felizes e que os outros tem a obrigação de nos fazer felizes? ou vemos os outros como realmente são, com liberdade interior, sem julgar e sem exigir que correspondam aos nossos desígnios?
viver atento, acordado, alerta para aquilo que nos rodeia não é um objectivo que em alguma altura está definitivamente conquistado, é uma atitude que se exercita constantemente, é uma meta nunca alcançada, podemos sempre fazer melhor, sempre. será que fazemos?
12 setembro, 2011
Sem nada a perder
medo de perder,
medo de sofrer,
medo de viver,
medo de morrer,
medo de ser,
medo de parecer,
medo de errar,
medo de acertar,
medo de ter,
medo de não ter,
medo de ter medo,
...
e se pudéssemos viver sem medo?
03 agosto, 2011
Contagem (de)crescente
Música: CD "Em fuga" - Tiago Betterncourt & Mantha
Objectos: Mochila, lista de coisas a levar, coisas propriamente ditas
Acção: Fazer a mala.
O que precisamos realmente? O que levamos e o que deixamos para traz? Viver com mais. Viver com menos. O que nos faz realmente falta? O que podemos dispensar? Torna-se mais fácil decidir quando sabemos que vamos ter que carregar a mochilas às costas no caminho... (mas não temos sempre? não carregamos o peso das coisas todos os dias?) As escolhas que fazemos influenciam a viagem. Que viagem queremos fazer? Que valor damos realmente às coisas? Será que elas têm esse valor? Ou poderíamos viver melhor sem elas? Fazer escolhas. Fazer a mala é fazer escolhas. Fazer a mala é um exercício de liberdade.
14 junho, 2011
Caetano e Maria Gadú - O Quereres (Ao Vivo)
sabe bem ouvir cantar assim ao fim da tarde (ou a qualquer hora) em casa (ou em qualquer lugar). sabe a férias quando há ainda muito trabalho pela frente, mas apetece, de repente, fazer uma pausa para respirar. parar como quem tem todo o tempo p'ra parar, sem correr, parar só, mesmo, mesmo devagar (como um beijo devia ser: instante parado no tempo de quem não tem pressa de partir, nem de chegar).
eu estou descompassada com a vida,
a vida a correr e eu perdida,
não sei se atrasada ou diante da terra prometida
(sem a ver).
o desencontro às vezes sabe a despedida,
mas não me parece perdido o tempo que perdi
(e ainda perco)
a aprender a perder.
liberdade é coisa de difícil apetecência, menos de apetecer e mais de paciência.
às vezes apetece menos, de querer estar perto demais.
às vezes apetece mais, de querer voar p'ra bem longe, onde não se toca nem se vê.
às vezes parece de menos, de não haver espaço para se ser quem se é.
às vezes parece demais, de quase roçar a solidão.
há que estudar a arte da iluminância, menos de ânsia e mais luz (e de esperanc(i)a)
para aprender a ganhar até quando se fica a perder.
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29 maio, 2011
Modus operandi
vai aonde queres ir,
diz o que tens a dizer.
sê educado e sensato,
humilde, mas não condescendente,
corajoso, mas não intransigente,
livre acima de tudo,
na relação com as coisas e com as pessoas,
na certeza de que tudo passa,
(até a vida)
e portanto não tens nada a perder.
18 abril, 2011
sentido de oportunidade III
às vezes (muitas vezes) espero pelo momento certo para falar: quando houver silêncio, quando alguém fizer a pergunta certa, quando servirem o café, quando chegar mais alguém, quando alguém se for embora, quando for a hora certa... às vezes (às vezes) não chego a falar.
26 fevereiro, 2011
disciplina
muitas vezes sou prisioneira dos meus sentimentos e desejos.
hoje saio em liberdade condicional por bom comportamento.
22 fevereiro, 2011
a outra face
os nossos pré-conceitos afectam de forma determinante a atitude que temos perante os desconhecidos, se sorrimos ou não, se somos mais ou menos pacientes, se somos mais ou menos sinceros, ou melhor, mais ou menos parecidos com o que somos realmente.
as nossas experiências anteriores com as pessoas afectam a forma como as tratamos da segunda, da terceira, da décima e da milésima vez porque é muito difícil ultrapassar diferenças e mágoas prévias para arriscar ser gratuito e olhar com um olhar renovado uma e outra vez.
por último, a nossa opinião em relação a nós próprios, a nossa auto-estima, aquilo que achamos, mais ou menos conscientemente, que merecemos (ou não) reflecte-se a todo o momento nas nossas opções e acções em relação aos outros (como uma espécie de profecia que se auto-realiza). quantas vezes nos desvalorizamos silenciosamente, quantas vezes esquecemos que o valor intrínseco de cada um é completamente independente das qualidades e dos defeitos, do QI, das aparências, ...
eu que me reconheço como num espelho em todas estas armadilhas (dos pré-conceitos à auto-desvalorização) fico a pensar: como seriam as nossas relações se nos libertássemos de todas estas correntes?
29 janeiro, 2011
Mais
queremos sempre mais, mais liberdade, mais paz, mais felicidade, mais justiça, mais realização, mais verdade, mais amor, mais, mais, mais... mas será que procuramos no lugar certo? ou será que nos deixamos absorver pela procura? os tempos sucedem-se, uns mais fáceis, outros mais difíceis, às vezes parecem atropelar os nossos planos perfeitos e as nossas óptimas intenções...
sei que a liberdade será sempre incompleta, que a felicidade será sempre imperfeita. olho para dentro e percebo que já tenho, no fundo, a paz e a liberdade que preciso para o dia de hoje, para o tempo presente. desconcertante, não é? inesperadamente simples. queremos sempre mais, mas o tempo não se apressa, as conquistas demoram o seu tempo (às vezes a vida inteira) e cada tempo traz as suas próprias respostas.
18 janeiro, 2011
o lado-luz dos dias-sombra
hoje o meu cansaço é daqueles que tem raízes antigas e profundas, daqueles que continua a doer no corpo mesmo depois de dormir. [daqueles que quase me faria escrever (te).]
hoje o meu cansaço é também mais lúcido: vejo como me tenho deixado governar pelo trabalho e não tenho respeitado os meus limites, vejo que tudo o que me dói é falta de liberdade. falta de liberdade se só tenho tempo para trabalhar e se me desiludo como se tudo dependesse de mim. falta de liberdade se vivo centrada na minha vidinha, neste círculo fechado e pequeno onde só cabem as minhas necessidades urgentes, as minhas pessoas ausentes, as minhas dores, os meus cansaços, os meus objectivos. falta de liberdade se me iludo com os meus desejos e invento papéis para os outros, e desespero com a espera, e me angustio com as ausências e com a liberdade dos outros. [por que é tão difícil respeitar a liberdade dos outros de ficar ou de partir?]. falta de liberdade se por desilusão me isolo e ignoro a vida que chama lá fora todos os dias: tenta mais, faz mais, vive mais, dá mais! falta de liberdade se me ocupo e ignoro a vida que me chama cá dentro: acredita mais, faz melhor, vive em paz, dá gratuitamente!
no meio do cansaço percebi também que preciso muito desse lugar chamado casa e que esse lugar não é simplesmente um lugar-lugar, mas sim um lugar-pessoas. a minha casa é onde estão as minhas pessoas-casa. e quando estou muito cansada descanso melhor se estou ao lado delas. às vezes não preciso sequer de desabafar com elas, basta-me estar com elas e ouvi-las e falar das coisas banais dos dias e das coisas importantes que nos angustiam, que nos movem, que nos comovem, basta-me estar com elas sem dizer nada para me sentir em casa e ficar melhor. [se o cansaço me faz olhar melhor para mim, para os dias e para os outros, então não pode ser mau. afinal, nada é só bom ou só mau.]
31 dezembro, 2010
2011
Três desejos muito pessoais para 2011, quase propósitos, embora eu não goste de propósitos... tenho tendência para não cumprir nenhum, por isso já nem vou escrever aqui: fazer exercício (que sei que preciso, mas nunca faço...) nem ler mais(que quero mesmo, mas nunca arranjo tempo, só nas férias). O que eu preciso, para que essas e outras coisas sejam possíveis, é de mais esperança (não precisamos todos?), disciplina e liberdade. (Mais vale começar já hoje e não deixar tudo para o próximo ano).
15 dezembro, 2010
dialéctica
nem tudo o que reluz faz frio,
nem tudo o que assombra é puro,
nem tudo o que seduz é bom,
nem tudo o que se diz é claro,
nem tudo o que se cala é escuro.
(da madrugada)
12 dezembro, 2010
coisas simples
há uma beleza nas coisas simples e claras, nas coisas que nos fazem bem e que às vezes parecem raras e outras vezes estão só escondidas pela quantidade enorme de tralha que nos ocupa os dias, sejam as listas intermináveis de coisas a fazer, seja a incapacidade de viver com mais liberdade e mais humildade. sou menos livre quando ignoro o que os outros precisam de mim e espero que eles sirvam as minhas necessidades, quando os manipulo mais ou menos conscientemente para servirem as minhas vontades, quando ajo por interesse e não de forma gratuita. sou menos humilde quando me recuso a pedir ajuda por me ter habituado a viver como se fosse auto-suficiente, como se não precisasse de ninguém. tantas coisas que podem tornar a vida mais difícil do que ela já é, desnecessariamente. a humildade é a verdade, já dizia a madre Teresa, é ser-se quem se é, não usar máscaras, não se sobrevalorizar e não se menosprezar, não parecer mais forte do que se é, não lutar continuamente para se esconder ou para se mudar aquilo que se é. É bom procurar a superação, é bom procurar fazer sempre o nosso melhor, mas se isso se tornar um fim em si podemos esquecer-nos de aproveitar o caminho. viver continuamente no limite pode tornar-nos piores pessoas, mais distraídas, mais cansadas, menos disponíveis para o que realmente interessa. Se o preço da superação for muito elevado, talvez seja caso para perguntar: será mesmo superação? não será maior superação aceitar os próprios limites e viver bem com eles?
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06 dezembro, 2010
nina simone - how it feels to be free - montreux 1976
"i wish i would know how it feels to be free"
(i wish you to know how it feels to be free)
(uma mulher de armas!)
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04 dezembro, 2010
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