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19 outubro, 2012

Hoje...


Há bilhetes de comboio que são como cartas de alforria. Sabem a liberdade.


12 dezembro, 2010

Tiago Bettencourt & Inês Castel-Branco "Se Cuidas de Mim"




a propósito de coisas simples, uma canção simples. às vezes as coisas simples estão mais perto da perfeição. a amizade, por exemplo, uma coisa aparentemente simples...


06 julho, 2010

Pérolas aos Poucos - Zé Miguel Wisnik


Hoje faço 28 anos. O ano passou por mim a correr, com a intensidade dos anos de mudança: mudança de direcção, sabor de coisas novas, mas familiares cá dentro, como aquelas pessoas que encontramos e parece que conhecemos há muito, ou aquelas que raramente vemos, mas parece que nunca saíram de perto de nós.
as escolhas são difíceis, porque abrem umas portas, mas fecham outras e nunca temos certezas absolutas. só podemos avaliá-las pelos frutos, pela luz nova que trazem à vida, pela felicidade que nos dão apesar do cansaço e das dificuldades, pela paz interior que sentimos apesar do futuro ser tão incerto como sempre foi...
os aniversários são geralmente dias em que as pessoas nos oferecem coisas (espero que poucas, porque já tenho tudo o que preciso), mas dei por mim a pensar no que terei eu oferecido às pessoas ao longo deste ano, se estive atenta ao que as pessoas precisavam de mim, se estive presente na vida das pessoas que hoje se lembraram de mim ou se andei demasiado ocupada com as minhas coisas.
que presente é que damos aos outros todos dias? não falo dos presentes embrulhados com laço e tudo, mas do dia de hoje, do tempo presente, da presença que temos no tempo presente das pessoas, do espaço-tempo que ocupamos, roubamos, oferecemos e de como o fazemos.
lembrei-me de uma canção que descobri há pouco tempo e que gosto muito: "Pérolas aos poucos". Será que damos sempre pérolas aos outros, ou seja, sempre o melhor de nós? Será que sentimos que as pérolas que damos se perdem? Eu acho que aquilo que dou é sempre muito pouco, vem do pouco que eu sou, mas acredito que nada daquilo que se dá, nada daquilo que se partilha se perde. só se perdem as pérolas que guardamos para nós e não são úteis a ninguém.






07 junho, 2010

Conjugar o verbo acolher


é bom ter amigos. pessoas com quem se está bem, com se pode ser quem se é... às vezes mostramos o que não somos para não mostrarmos o que somos e isso deixa-nos sempre menores, insatisfeitos, porque a felicidade está na integridade, em sermos nós em todas as circunstâncias por mais chato ou difícil que isso às vezes pareça.
é bom abrir o coração a quem chega, sem falsas expectativas, respeitando a verdade do outro e a nossa própria verdade, percebendo que a felicidade está mais em acolher do que em receber. são tantas as vezes em que nos aproximamos ansiosos por receber, angustiados por concretizar os nossos desejos e os nossos planos independentemente da vontade e da situação do outro.
lá no fundo, precisamos todos, todos os dias, de nos sentirmos aceites naquilo que somos, não mais, nem menos, inteiros, com as nossas qualidades e defeitos. Se começássemos a fazê-lo hoje com as pessoas que conhecemos ou que encontramos no caminho a vida não seria diferente?

10 setembro, 2007

passo a passo




o tempo atravessa-nos, passo a passo, com pezinhos de lã, escreve-nos histórias na alma devagar com letra cuidada e tinta invisível, a não ser, talvez, as vezes no olhar e no coração... onde usa uma ou outra sombra de diferentes cores e intensidades. será que mudamos muito? será que somos, no fundo, sempre iguais?
o tempo passa para nos levar ou para nos unir, mas não deixa de ser um mistério, a forma como uns ficam e outros partem.
não deixa de ser um mistério que 7 anos depois as mesmas pessoas se encontrem e se sintam realmente em casa... porque a casa não é só o lugar físico onde moramos (até porque muitos destes lugares não sabem a casa), mas uma forma de estar, uma forma de estar mais fiel e mais autêntica, uma forma de estar mais próxima daquilo que realmente somos.
será que isto acontece porque estamos todos mais velhos e despreocupados com as aparências? será que acontece porque fomos crescendo juntos e encaixando as semelhanças e as diferenças de todos e de cada um? será que acontece porque de repente percebemos que o tempo passou e procuramos o que ficou de essencial e importante?
talvez as perguntas sejam pura retórica, sejam só a manifestação da surpresa feliz de um presente onde o tempo não construiu barreiras entre nós ao abrigo das distâncias.
nunca seremos capazes de um amor completamente desinteressado. não podemos negar que somos pelo menos um bocadinho egoistas quando desejamos e procuramos a felicidade dos amigos porque isso nos faz sentir muito felizes. Mesmo assim, o amor entre os amigos não deixa de ser um pequeno milagre! Se abraçado com liberdade pode ser um lugar onde somos casa e nos sentimos em casa.







fotografia do sítio do costume