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24 agosto, 2011

No coração do mundo


há algo na viagem que nos fascina e seduz.
que nos chama por dentro. sem palavras.
um outro mundo lá fora. longe das nossas seguranças.
uma busca comum que silenciosamente nos guia:
para onde vai a tua vida?
para onde vai este dia?
de todas as cores. de todos os lugares.
para lá dos medos o invisível reluz.
um desejo onde desconhecidos se reconhecem.
um amor que torna próximos os distantes.
um mundo inteiro lá fora. à nossa espera.

22 abril, 2011

Arvo Part - Fratres For Cello And Piano




pela música não pelo filme (embora tenha gostado do filme).
pelo silêncio a que (est)a música nos impele.
e mais não digo: (hoje).


06 julho, 2010

Pérolas aos Poucos - Zé Miguel Wisnik


Hoje faço 28 anos. O ano passou por mim a correr, com a intensidade dos anos de mudança: mudança de direcção, sabor de coisas novas, mas familiares cá dentro, como aquelas pessoas que encontramos e parece que conhecemos há muito, ou aquelas que raramente vemos, mas parece que nunca saíram de perto de nós.
as escolhas são difíceis, porque abrem umas portas, mas fecham outras e nunca temos certezas absolutas. só podemos avaliá-las pelos frutos, pela luz nova que trazem à vida, pela felicidade que nos dão apesar do cansaço e das dificuldades, pela paz interior que sentimos apesar do futuro ser tão incerto como sempre foi...
os aniversários são geralmente dias em que as pessoas nos oferecem coisas (espero que poucas, porque já tenho tudo o que preciso), mas dei por mim a pensar no que terei eu oferecido às pessoas ao longo deste ano, se estive atenta ao que as pessoas precisavam de mim, se estive presente na vida das pessoas que hoje se lembraram de mim ou se andei demasiado ocupada com as minhas coisas.
que presente é que damos aos outros todos dias? não falo dos presentes embrulhados com laço e tudo, mas do dia de hoje, do tempo presente, da presença que temos no tempo presente das pessoas, do espaço-tempo que ocupamos, roubamos, oferecemos e de como o fazemos.
lembrei-me de uma canção que descobri há pouco tempo e que gosto muito: "Pérolas aos poucos". Será que damos sempre pérolas aos outros, ou seja, sempre o melhor de nós? Será que sentimos que as pérolas que damos se perdem? Eu acho que aquilo que dou é sempre muito pouco, vem do pouco que eu sou, mas acredito que nada daquilo que se dá, nada daquilo que se partilha se perde. só se perdem as pérolas que guardamos para nós e não são úteis a ninguém.






07 novembro, 2008

silencio


podia dizer-te com palavras
coisas normais dos dias e das pedras,
coisas do andar e do fazer.
podia dizer-te com palavras
coisas simples e claras,
coisas do sentir e do ser.
mas não direi nada
que não saibas já,
por isso calo todas as palavras
e procuro dentro de mim a tua voz.

20 dezembro, 2007

Do you feel loved?





há quem diga que sentir-se amado é mais determinante do que amar...






É isso o Natal











a imagem de um amor incondicional



08 novembro, 2007

o mar

a música é uma arte particular... entranha-se na pele, afunda-se na memória e quando volta traz com ela a luz dos dias que passaram, a força dos sentimentos adormecidos. entre o presente e a memória, que realidades não inventamos, suspensas na imaginação e na lenta respiração dos dias que já não são. às vezes será talvez capaz de despertar em nós desejos tão profundos que não nos atrevemos a formular, mas estão lá, latentes em cada passo, em cada batimento cardíado, em cada segundo de vida desperdiçado a fazer menos do que aquilo que nos faria realmente felizes. é um mistério... tanto a forma como estes desejos acordam em nós, como a relutância que temos em procurar o verdadeiro sentido, em responder ao verdadeiro desejo que clama por nós do fundo de nós, do fundo dos outros, de uma música, ou da música do silêncio. quem fala em mim que eu não quis ouvir? quem fala em mim que não quero calar? quem me fala de ti no fundo de mim? quem me abre janelas no olhar para o fundo do mar? abre os sentidos para o amanhecer, não te deixes adormecer esta noite e vem comigo, vou mostrar-te o mar...




"foi por ti
que um dia eu fui p'ra além da praia,
descobri em ti
um mar que eu nem sabia haver"




e por falar em música, não me podia esquecer de recomendar o musical que estamos a preparar há tanto tempo e que vai estrear no dia 19 de novembro (2.ª récita no dia 25). é assim, demora muito a preparar e depois passa num instante. intitula-se Pirilampo e os deveres da escola. tragam os mais novos que vão gostar, e venham sonhar connosco ao som da música do João Loio.

mais informações aqui.




24 outubro, 2007

memórias de uma noite XP



há noites que são dias...
que acordam em nós
sonhos antigos, novos desejos,
o rumor longínquo do mar...
quem me conhece não me sabe mais,
porque nasci do silêncio
para o sol nascente.
há noites que acordam alvoradas dentro do peito
e lançam uma nova luz
sobre o mundo.
fazem ver mais claro,
ver com olhos de quem ama.
e só o amor transforma,
só o amor faz crescer de dentro para fora.
o mundo inteiro não chega,
rasgo horizontes de medo e insegurança
sigo a voz que me chama,
quero ser mais livre,
arrisco a certeza pela confiança
arrisco cair para poder voar.



26 junho, 2007

à espera de um reagente...


há quem espere por pessoas, por paz, por felicidade...
há quem espere que as coisas lhe aconteçam, de preferência só as boas, e não tenha coragem de arriscar fazer, de arriscar amar, de arriscar dar-se.
às vezes usamos como desculpa que nos falta um reagente: pode ser tempo, pode ser paciência ou vontade...
provavelmente o que falta mais vezes é liberdade. liberdade para sermos quem somos sem tentar sempre agradar, ser simplesmente. liberdade para deixarmos o outro ser e nao o tentarmos convencer a mudar, só porque seria tão mais fácil amar se o outro mudasse um bocadinho ali, um bocadinho acolá. liberdade para respeitar os tempos e os espaços do outro. liberdade para ceder, para perdoar, para compreender e aceitar.
é isso que quero desejar hoje. que sejamos todos um bocadinho mais livres.
e não estou a falar, claro, de liberdade para fazer o que nos apetece... que é mais... libertinagem.
o que desejo a todos é a conquista da liberdade interior.
e é uma conquista difícil parece-me... para demorar cerca de uma vida inteira.
















imagem daqui



29 maio, 2007

momento


alturas houve em que tentei adiar-te para um futuro indefinido: daqui a um ano, daqui a dois, quando acabar o curso, quando acabar o mestrado, quando tiver tempo para parar,...
alturas houve em que quis ter a certeza, ou então que tudo se decidisse por si só e eu não precisasse de escolher, assumir, e enfrentar todas as consequências de uma possível escolha...
houve alturas em que quis escolher-te, mas não tive coragem para agir, nem liberdade para me entregar, nem disponibilidade para estar...

hoje só quero estar exactamente aqui, neste momento antes de, mas a caminho de...
qualquer coisa que não sei, mas que acredito que será o melhor.
hoje só quero estar.
respiro-te fundo e desejo ficar aqui e perguntar:
que sonhos tens sonhado tu comigo?

será que eu me atrevo a sonhar contigo?

















ao som de dreaming my dreams aqui


"I'll be dreaming my dreams with you
I'll be dreaming my dreams with you
And there's no other place
that I'd lay down my face
I'll be dreaming my dreams with you"





fotografia encontrada aqui


16 maio, 2007

o reino






















acredito na felicidade de viver um dia de cada vez,
e no valor das pequenas coisas.
acredito na amizade,
no amor gratuito,
na beleza interior.
acredito na paz.
acredito na liberdade interior.


acredito que vale a pena olhar para o futuro com esperança,
e que é possível optimizar (n)o presente.
acredito que no silêncio se dizem muitas coisas, e se ouve muito melhor.
acredito que melhor é possível, acredito que é possível mudar.
acredito que vale a pena lutar pela justiça e pela verdade.
acredito que faz sentido viver uma vida com sentido,
ou passar a vida a procurá-lo.


acredito na comunicação.
acredito na urgência do perdão.
acredito na busca do essencial.
acredito no poder transformador de um olhar,
acredito no poder transformador do amor.




fotografia encontrada aqui




09 maio, 2007

a busca





quem me dera poder escrever-te,
ou pintar o teu retrato,
ou encontrar-te na rua
e demorar-me ao teu lado.
quem me dera sonhar caminhos
que encham de futuros os teus olhos
e desejar desejos
de encontro à tua vontade.
quem me dera falar pouco
e dizer sempre verdade.
quem me dera deixar tudo,
perder os passos na madrugada,
correr o mundo de mãos vazias,
só para te abraçar no fim da estrada.























fotografia daqui






23 janeiro, 2007

ao ritmo do coração




há algo de satisfação silenciosa em acordar à hora prevista, sair para o frio da manhã, atingir passo a passo pequenos objectivos, sentir que o tempo passa naturalmente. há algo de promessa cumprida no nascer do sol. há algo de felicidade contida no simplesmente estar... sem fazer nada, sem dizer nada, 1min, 2min, 3min, ... o tempo que se puder e quiser. há algo de incompleto e de insatisfeito em cada um. há algo que nos faz correr, há algo que nos faz sonhar, há algo que nos faz arriscar mais. mas também há paz nesse arriscar-se quando se tem um rumo certo no coração em vez de navegar à deriva.



28 dezembro, 2006

transCE(n)DÊNCIAS




estico o olhar para tentar ver mais longe,
entro no silêncio como entra o frio nas casas: por uma qualquer fresta imperceptível,
relativizo este ou aquele encontro, o que já passou, o que não vai ser,
o sentimento que de cansaço se calou,
uma tristeza que já esqueceu porque chorou,
e tento perceber-me envolvida nesta rede de (des)encontros, nesta correria incessante da cidade dos homens...
(E se parar agora, será que se desviam a tempo ou me atropelam?)
se às vezes me sinto só arrastada pela corrente,
também sei, por esperança, que sentidos indecifráveis se revelam quando menos esperamos.
onde está então a felicidade? em acordar de manhã, em fazer o melhor possível, em abrir as janelas do coração aos outros e ao vento e ao frio se assim calhar, em recomeçar sempre, em desistir do que não é verdade, mas sim desejo desordenado, em ser fiel à verdade interior, em procurar sempre mais...
(e podia continuar indefinidamente…
e vou continuar com certeza, mas não aqui)






29 abril, 2006

um dia verei a minha vida como um rio... seguindo calmamente pela planície, ou enfrentando terrenos acidentados? desviando-se de grandes montanhas, ou rasgando vales por entre elas? correndo sem nunca se deter, ou retida por barragens e espraiando-se em albufeiras? seguindo um caminho solitário, ou cruzando-se e misturando-se com afluentes e ribeiros? crescendo passo a passo, ou aniquilando-se em sub-missão num rio maior?


um dia chegará o mar (porque é sempre o mar que chama o rio e não o rio que chega ao mar). nesse dia verei a minha vida como um rio, hoje ainda não.

28 abril, 2006

há flores que nascem no chão... pequeninas e isoladas,
quase parecem perdidas no meio da vegetação...

há outras que nascem no ar, suspensas...
como quem se prepara para voar,
mas não se atreve a arriscar....

para encontrar umas e outras é preciso procurar,
para as re-conhecer é preciso parar,
para as ver como elas são é preciso tornar-se próximo
devagar... como quem não tem pressa,
como quem não tem nenhum outro lugar melhor para estar,
a não ser ali, a aprender a olhar com olhos novos,
a aprender a amar com um coração novo.

14 abril, 2006

"porque nos criaste para Ti e o nosso coração vive inquieto,
enquanto não repousa em Ti" (Santo Agostinho)