Mostrar mensagens com a etiqueta re-Pensar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta re-Pensar. Mostrar todas as mensagens

18 abril, 2011

sentido de oportunidade II


enquanto não as conhecemos as pessoas são caras indistinguíveis na multidão. podemos passar por elas, vezes sem conta, sem as vermos. depois de falarmos com elas uma vez, passamos a vida a encontrá-las, mesmo sem querermos.


22 fevereiro, 2011

a outra face


os nossos pré-conceitos afectam de forma determinante a atitude que temos perante os desconhecidos, se sorrimos ou não, se somos mais ou menos pacientes, se somos mais ou menos sinceros, ou melhor, mais ou menos parecidos com o que somos realmente.
as nossas experiências anteriores com as pessoas afectam a forma como as tratamos da segunda, da terceira, da décima e da milésima vez porque é muito difícil ultrapassar diferenças e mágoas prévias para arriscar ser gratuito e olhar com um olhar renovado uma e outra vez.
por último, a nossa opinião em relação a nós próprios, a nossa auto-estima, aquilo que achamos, mais ou menos conscientemente, que merecemos (ou não) reflecte-se a todo o momento nas nossas opções e acções em relação aos outros (como uma espécie de profecia que se auto-realiza). quantas vezes nos desvalorizamos silenciosamente, quantas vezes esquecemos que o valor intrínseco de cada um é completamente independente das qualidades e dos defeitos, do QI, das aparências, ...
eu que me reconheço como num espelho em todas estas armadilhas (dos pré-conceitos à auto-desvalorização) fico a pensar: como seriam as nossas relações se nos libertássemos de todas estas correntes?


22 dezembro, 2010

natal


há quem não acredite, há quem pense que é um hábito histórico-cultural, há quem só veja as aparências, há quem reúna a família, há quem se lembre de quem mais precisa, há quem gaste demasiado e ofereça muito pouco de si, há quem já não se lembre, há quem esteja tão sozinho como em todos os outros dias, há quem goste das decorações e se deixe ofuscar pelas luzes...

natal: um nascimento que começou há mais de 2000 anos e nunca mais parou de acontecer. que significado pode isso ter, hoje, para cada um?


21 novembro, 2010

Depois da tarde


de repente o medo.
não sei se é a noite a chegar
ou se sou eu que finjo não procurar,
mas não sei o que fazer se tiver encontrado.
não faço nada.
fico aqui? fico perto?
fico ao lado?
escrevo? não escrevo?
paro? escuto? espero?
respiro-te de-pressa,
mas não declaro.
aproximo-me devagar, observo e calo,
mas quero-te perto
e isso é tão raro.




25 outubro, 2010

Citação


"A música tem de dar espiritualidade ao corpo para se tornar em sonoridade visível."


Jaques Dalcroze


09 setembro, 2010

Ser


a distância entre o que se pensa e o que se é,
a distância entre o que se faz e o que se pensa,
a distância entre o que se faz e o que se é,
são, a maior parte das vezes, muito maiores do que nós pensávamos...
são, a maior parte das vezes, muito maiores do que a raiz quadrada da soma do quadrado dos catetos.



29 junho, 2010

Pensamento II


a verdade mais dolorosa é melhor que a mentira mais piedosa.


Pensamento I


às vezes enganámo-nos a nós próprios.
e no fundo sabemos que estamos a enganar-nos.
mas queríamos tanto estar enganados.
(ou seja, não estar enganados).


19 março, 2010

Espera


as contrariedades testam a persistência e fortalecem o espírito?


ah! então é isso. já me sinto mais musculosa.



26 maio, 2009

confissões


não escrevo porque não tenho nada a dizer... ou porque não sei escrever, ou porque o tempo me pede contas de tudo o que não faço e de tudo o que faço e não devia fazer porque devia estar a fazer outra coisa qualquer (que provavelmente não me apetece fazer).
não escrevo porque tavez me encontre e talvez me diga o que não quero saber.
não escrevo porque me preocupo e pré-ocupar-me ocupa-me todo o tempo que eu poderia ter para escrever. preocupo-me com as aulas que correm menos bem e com as aulas que correm mesmo mal e com as aulas que correm mais ou menos. preocupo-me com os papéis que tenho que preencher e com os planos que tenho que fazer e com as decisões que se aproximam não como se eu as decidisse, mas como se elas se antecipassem e me cobrassem resposta: agora! preocupo-me, não, chateio-me, chateio-me com os livros que compro e que não consigo ler, ou porque nem começo ou porque me esqueço ou porque desisto de acabar. chateio-me se falo alto, se sou impaciente, se chego atrasada, se sou criticada, se não arranjo tempo para estar, se prefiro mentir a enfrentar, se prefiro fugir a parecer menor. chateio-me se não sei parar, se não sei agradecer, se não sei rezar, se não digo bom dia, se não me comprometo, se não sou útil quando podia ser, se não sou livre (tanto quanto podia ser).


chateio-me se me chateio comigo mesma demasiadas vezes sobre demasiadas coisas desnecessariamente.


(isto é nitidamente falta de sono)

29 janeiro, 2009

mundo, liberdade e agricultura




Ontem finalmente me decidi a podar o meu bonsai...
(Não tirei fotografias antes e depois, ou seja, esta imagem não é do meu bonsai...)

A questão é: não sei como podar um bonsai. Deduzi que devia tentar orientar o crescimento dos ramos preservando uma imagem global que me parecesse natural. Não sei se o que fiz está bem ou se está mal, mas se a árvore morrer entretanto acho que vou ter a minha resposta. Se ela sobreviver fico na mesma: não sei se foi porque eu podei bem, ou se foi o bonsai que resistiu à agressão por teimosia. (uma coisa é certa, o bonsai está a durar mais tempo do que todos os peixes que me ofereceram antes dele)

Segundo me lembro do que já li, os ramos do bonsai não devem cruzar-se uns com os outros, devem ter espaço para crescer de forma confortável. Depois há aquela questão do tronco fazer um S... mas isso está nitidamente fora do meu alcance!

É difícil cortar ramos, nunca sabemos se estamos a fazer a opção certa; é didícil cortar com o supérfluo e deixar só o que é essencial, embora depois de cortar pareça óbvio que viver com menos nos dá mais liberdade de movimento e até de pensamento. É difícil dizer não, quando se é constantemente bombardeado com opções, necessidades, imposições. É difícil resistir e manter a velocidade escolhida quando a toda a volta o mundo se movimenta ao dobro da velocidade, incitando ao passar: faz mais isto e mais aquilo, olha esta oportunidade, vira ali, corre acolá.

[imagem daqui]



08 outubro, 2008

tempos (de) outros

parece que não sou só eu que ando a pensar no tempo:


Ter o tempo na mão

18 agosto, 2008

olhares


devemos olhar para as coisas com um olhar claro. quanto mais penso, falo, experimento, mais me convenço disso. um olhar claro significa, primeiro, ver a verdade, não cair na tentação de querer ver o que não está lá, nem fechar os olhos àquilo que nos incomoda. não ser displicente, nem ser indiferente. um olhar claro também quer dizer, trazer luz para, iluminar aquilo que se olha, ver o positivo, ver o construtivo, e quem sabe até sonhar mais, melhorar. há pessoas capazes disto. não é só uma qualidade. é um exercício diário, alcançável, com mais ou menos esforço. é transmissível também, na medida em que a forma como olhamos e como falamos das coisas transmitem luz ou sombra aos outros.
fico a perguntar-me: e eu, o que andarei a transmitir aos outros? mais luz ou mais sombra?

09 julho, 2008

Expectativas vs. realidade

ser o que se é, é algo suficientemente difícil. porque é que se exige que, além disso, as pessoas tenham que corresponder as expectativas de uma sociedade normalizada? porque é que não se pode estar triste? porque é que não se pode estar calado, por não ter nada para dizer? porque é que se tem que querer atingir um determinado estatuto, ou ter determinadas profissões? porque é que se deve desconfiar de tudo e todos e considerar a inocência ou a ingenuidade um defeito de carácter? porque é que se tem que ser magro? porque é que se tem que ser rico ou famoso ou estar na moda?
simultaneamente não consigo ver onde é que responder a todos estes estímulos e expectativas sociais torna as pessoas mais felizes. Será que me dou ao trabalho de perceber o que as pessoas são e sentem para além daquilo que aparentam? será que pergunto: tudo bem? e não como estás? E se pergunto como estás? fico tempo suficiente para ouvir a resposta verdadeira ou não tenho coragem porque corro o risco de ouvir o desabafo ou de me aproximar demais do outro, sentir a sua alegria e a sua dor? Será que aposto na qualidade das minhas relações? Será que dou tempo e espaço para me aproximar de alguém e para as pessoas se aproximarem? É difícil, dá trabalho, as pessoas são a maior parte das vezes, confusas, complicadas, não estão sempre bem-dispostas, não são sempre engraçadas... mas ter relações com profundidade não trará outra satisfação, mais disponibilidade de ambas as partes, menos preconceitos, mais aceitação do outro, mais compreensão, mais caridade, mais amor no fundo? porque só se ama quem se conhece.


13 outubro, 2007

límites




quantas vezes serei capaz de repetir? quantas vezes serei capaz de me humilhar? quanto tempo serei capaz de resistir? quantas vezes serei capaz de insistir? quantas vezes serei capaz de perdoar? quantas vezes serei capaz de perguntar? quanto tempo serei capaz de procurar? quantas vezes serei capaz de me calar? quantas vezes serei capaz de superar? quantas vezes serei capaz de voltar? quantas vezes serei capaz de partir?...


límites...


quais são os meus? quais serão os dos outros? haverá alguma outra forma de o saber para além desse testar contínuo, dia após dia, de vaga contra as rochas, de terra contra o vento? haverá outra forma que não a erosão contínua? haverá outra opção que não a de proteger esse frágil equilíbrio entre os meus límites e os de todos os outros?





imagem retirada daqui





28 agosto, 2007

Parar...



"Mon representa e significa uma porta. Se colocarmos debaixo da porta o signo do Sol, converte-se em Ma: espaço, umbral, margem, vão, vazio, intervalo, entre, pausa.
Chamamos cultura da pausa à tradição oriental de dar importância aos silêncios na conversação, às margens na pintura, aos vãos livres na arquitectura, ao não dito na mensagem e à receptividade na contemplação."



em A Sabedoria do Oriente - do sofrimento à felicidade
de Juan Masiá






Precisamos de pausas. vários tipos de pausas. pausas de instantes ao longo do dia, como que para respirar fundo e continuar. pausas de períodos curtos de tempo, para nos dedicarmos a algo diferente, um passatempo, uma actividade desportiva, um momento de leitura, ou até de contemplação num jardim, em frente ao mar, ou na varanda lá de casa, algumas vezes por semana, ou até, se possível, uma vez por dia. pausas de vários dias, ou algumas semanas, que normalmente designamos por férias, para sair da correria do dia a dia e descansar (embora nem sempre consigamos descomplicar de tão habituados que estamos já a estar sempre ocupados a fazer alguma coisa). pausas ao longo da vida, momentos de paragem antes de uma decisão importante. esse espaço entre. espaço de silêncio e de decisões. espaço depois de e antes de. importa dar valor a esse tempo. esse momento presente, com mais ou menos angústia, com mais ou menos duração, com mais ou menos peso na nossa vida futura. muitas vezes nem temos consciência da importância e das consequências de uma decisão. mas é hoje que ela se constrói e nos transforma.
todas as pausas são importantes. preciso tanto de parar para decidir, como de parar para respirar. felizmente nestas férias consegui um pouco das duas.
é importante parar... nem que seja...






... à velocidade da luz







fotografia do sítio do costume




09 agosto, 2007

Orgulho







É bom termos consciência do nosso valor pessoal, e todos o temos, independentemente dos dons e dos defeitos que nos calharam em sorte, da função que desempenhamos, ou das circunstâncias em que nos encontramos. Essa consciência é a âncora necessária para não andarmos ao sabor da maré e a nosso estado de espírito não depender das opiniões dos outros sobre nós (embora não possamos viver sem as opiniões dos outros, e algumas delas nos devam merecer grande atenção, pois iluminam cantos que a nossa auto-correcção não vê).

É bom sermos capazes de reconhecer as nossas fraquezas (torna-nos capazes de assumir as nossas culpas e também de perdoarmos as dos outros) sem cairmos na tentação da falsa humildade e da auto-condescendência.

E aqui entra em campo uma personagem que se chama orgulho que pode confundir um bocado as coisas. Pode levar-nos a considerar que ter consciência do nosso valor pessoal é estarmos acima das críticas, que qualquer crítica é um ataque pessoal e uma tentativa de nos retirar o lugar ou o respeito a que temos direito. O orgulho alimenta aquela postura do: dar-se sem se rebaixar, na qual podem cair ambos: os que se merecem muito respeito, e os que apesar de mostrarem aparência humilde na verdade se sentem silenciosamente injustiçados por não lhes ser reconhecido o seu devido valor.


É preciso encontrar portanto uma referência para lidar com estas interacções tão complexas... e a mim parece-me que a melhor referência é a verdade. Ou seja, é bom sermos firmes. E é bom sermos frágeis. É bom sabermos o nosso valor. E é bom não lhe darmos demasiada importância.
A diferença entre escolher o orgulho ou a verdade é como a diferença entre fazer benzinho e fazer o melhor. Importa não ceder nos princípios, mas ceder às pessoas; não sermos coitadinhos, mas sermos capazes de sacrificar um posição segura, para poder chegar mais perto. Ninguém ama sem descer. Só quando a posição relativa que ocupamos em relação ao outro deixar de ser mais importante que o outro é que o nosso valor será realmente inabalável, porque já não teremos medo de o perder.


aceitar perder para ficar a ganhar...
dá que pensar, não dá?






imagem encontrada aqui



08 agosto, 2007

pequenas coisas, grandes esperanças


as atitudes de alguém próximo podem ser, às vezes, quase incompreensíveis, e não haver palavras, ou esforços que clarifiquem a situação, nem tentativas de diálogo que não resultem frustradas. geralmente a dimensão do problema tende a ser tão pequena que torna a situação em si ainda mais cansativa. só o não diálogo pode ser a causa do aumento da esperança de vida das coisas pequenas.

é para mim penoso, sentir o tempo passar sem que a verdade das coisas nos ilumine. é me difícil aceitar que algo que me pareça claro, resulte tão difícil de esclarecer. às vezes desejos subreptícios de invasão invadem-me: vou lá bater a tua porta até que abras e discutas comigo, ou vou ligar até me atenderes, mas a razão diz-me que devemos respeitar os tempos dos outros, e por isso não reclamo, não discuto, não invado... mostro-me apenas disponível, e espero... ainda que o tempo pareça demorar a passar, ainda que o tempo pareça esgotar-se a cada dia que passa, ainda que não consiga não pensar, ainda que não consiga não sofrer.

não cedo à resignação, mas à esperança. a esperança é a qualidade dos que esperam desejando o bem. a esperança tem na paciência uma aliada e firma as suas raízes na disponibilidade para aceitar. a esperança habita o coração daqueles que se deixam encontrar e torna o difícil mais fácil de suportar.























imagem retirada daqui




07 agosto, 2007

Intentions


we all have good and evil inside,
that doesn't make us good or bad persons though,
it's the choices we make,
the risks we take,
the part we choose to act upon
that defines who we are.
it seems simple,
but simple it is not.
we can still hurt trying to do some good,
we can still help although our intentions were bad:
this equation has too many variables,
and can evolve in unpredictable ways.
we can only try to get it right,
certain that we're going to fail too many times along the way...
we'll just have to keep trying...
keep trying, and failing, and guessing, and wishing,
and dreaming, and loving, and hurting...
keep trying, though hurt, though tired, though weak,
keep trying.


28 junho, 2007

as árvores e os frutos


todos os dias decidimos coisas, pequenas coisas, se vamos pela esquerda ou pela direita, se almoçamos na cantina ou no bar, se convidamos um amigo para lanchar ou se nos deixamos conduzir pela inércia, se sorrimos à pessoa que nos atende ou se nos deixamos invadir pelo mau humor matinal...
mais de vez em quando decidimos coisas importantes, se escolhemos um curso, se mudamos de curso, se iniciamos uma relação, se mudamos de país, se mudamos de emprego, se mudamos de casa, se decidimos casar...
as primeiras podem ser mais ou menos instintivas, as segundas tendem a ser mais ponderadas... umas e outras afectam a nossa vida dali em diante de formas muito diferentes, de uma forma mais passageira ou mais definitiva, mas como saber se as decisões foram boas ou não...


dizia alguém sábio há muito tempo que as decisões se avaliam não pelos sentimentos momentâneos, mais superficiais, mas pelos frutos. assim, as boas decisões serão aquelas que nos abrirem o coração à vida e aos outros, que fizerem de nós melhores pessoas. podem ser decisões difíceis, que exigem superação, abnegação, talvez até sacrifício, mas trazem paz interior, e uma felicidade que às vezes não faz grande alarido, mas que nos atravessa, com a profundidade e a calma dos grandes rios. não deixamos nunca de sentir medo, mas abrem-se novas janelas dentro de nós. podemos não dizer nada, mas os outros sentem, na luz do olhar, na sensibilidade das palavras, na leveza dos pequenos gestos...


tudo está igual, mas tudo mudou...




















o verdadeiro amor não transforma só uma relação a dois, renova todas as nossas relações, porque não pode senão dar-se.






fotografia encontrada aqui