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04 dezembro, 2012

Citação


A mansidão do amor não é pura quietude.

Amar não é estar enamorado.
Estar enamorado é um estado. E um estado sofre-se.
O amor é um acto, uma sucessão de actos em cadeia, uma guerra boa portanto.
O amor é inventivo até ao infinito...

D. António Couto


10 junho, 2011

o dia depois de ontem


este é o dia seguinte.
por isso convivem em mim dois sentimentos contrastantes. a satisfação pelo trabalho realizado. e um certo vazio, difícil de explicar... (saudades já de algo que terminou? ou a difícil tarefa de me re-equilibrar depois de ter exigido tanto de tudo, e de todos e de mim.)
às vezes penso que outra forma de viver e de trabalhar deve ser possível, eu é que ainda não a descobri, por isso gasto-me assim, na primeira pessoa do singular, no presente do indicativo. por isso às vezes o medo. porque entregar (me) assim é arriscado.
damos e recebemos, mas onde estamos? se estivermos só no que damos, arriscamos ficar sem nada? ou damos sem medo e em liberdade porque o fazemos a partir do centro, do núcleo duro daquilo que somos e daquilo em que acreditamos? e não tememos esvaziar-nos porque sabemos que o amor não se gasta nem se divide, antes se multiplica nas mãos de quem o dá.

14 abril, 2011

Páscoa


o fim e o princípio sobrepostos,
lugar onde se cruzam todos os caminhos,
ponte para lá das palavras e dos gestos.

um amor que no silêncio se revela,
que na humildade se traduz
em entrega desmedida.


09 julho, 2008

Expectativas vs. realidade

ser o que se é, é algo suficientemente difícil. porque é que se exige que, além disso, as pessoas tenham que corresponder as expectativas de uma sociedade normalizada? porque é que não se pode estar triste? porque é que não se pode estar calado, por não ter nada para dizer? porque é que se tem que querer atingir um determinado estatuto, ou ter determinadas profissões? porque é que se deve desconfiar de tudo e todos e considerar a inocência ou a ingenuidade um defeito de carácter? porque é que se tem que ser magro? porque é que se tem que ser rico ou famoso ou estar na moda?
simultaneamente não consigo ver onde é que responder a todos estes estímulos e expectativas sociais torna as pessoas mais felizes. Será que me dou ao trabalho de perceber o que as pessoas são e sentem para além daquilo que aparentam? será que pergunto: tudo bem? e não como estás? E se pergunto como estás? fico tempo suficiente para ouvir a resposta verdadeira ou não tenho coragem porque corro o risco de ouvir o desabafo ou de me aproximar demais do outro, sentir a sua alegria e a sua dor? Será que aposto na qualidade das minhas relações? Será que dou tempo e espaço para me aproximar de alguém e para as pessoas se aproximarem? É difícil, dá trabalho, as pessoas são a maior parte das vezes, confusas, complicadas, não estão sempre bem-dispostas, não são sempre engraçadas... mas ter relações com profundidade não trará outra satisfação, mais disponibilidade de ambas as partes, menos preconceitos, mais aceitação do outro, mais compreensão, mais caridade, mais amor no fundo? porque só se ama quem se conhece.


01 julho, 2008

Vivaldi - Stabat mater (RV 621) - Andreas Scholl


à procura da perfeição...
parece fácil.

21 junho, 2008

liberdade




ser gratuito nas relações é tão difícil... ser desinteressado, ou abnegado, dar sem esperar, nem exigir receber. é uma luta interior terrível às vezes. é um pequeno milagre quando acontece naturalmente e sem doer. é uma meta e são pequenas conquistas. é uma luta da qual vale a pena não desistir, porque um só momento de sucesso é imensamente compensador.

quanto serei eu capaz de dar de mim sem pedir nada em troca? há dias em que esta luta me dói até à alma (que é onde as coisas difíceis doem). há dias em que só desejar ser assim já é uma vitória. há dias em que só de tocar ao de leve nessa promessa de liberdade, e senti-la ganhar corpo, dá sentido a todos os fracassos, a todos os desânimos e faz desejar ir mais longe (ou ir mais fundo).







mais uma fotografia do jardim cá de casa


20 dezembro, 2007

Do you feel loved?





há quem diga que sentir-se amado é mais determinante do que amar...






É isso o Natal











a imagem de um amor incondicional



09 maio, 2006

O meu avô tem mãos
Que sabem de cor a cor da terra.
O meu avô tem orelhas grandes
Porque foram crescendo lentamente
A vida inteira
O meu avô sabe fazer crescer uma planta noutra planta,
Sabe o tempo de semear milho
E o tempo de apanhar batatas.
O meu avô conhece as casas e os campos
E o nome das pessoas que os habitam.
O meu avô conhece cada alguém
Pela árvore genealógica: todos são
Filhos do tio do primo de não sei quem.
O meu avô antecipa o tempo que vai fazer
No ano inteiro, pelo tempo que faz
Nos últimos dias de Dezembro e nos primeiros de Janeiro.
O meu avô quando diz ai, não diz ai,
Diz Aaaaaaaaaaaida, porque talvez um dia, não sei,
Alguma empregada chamada Aida...
O meu avô chega sempre cedo,
E vai sempre à missa à mesma hora.
O meu avô vai a concertos que não percebe muito bem,
(E senta-se ao meu lado)
Mesmo que as vezes esteja cansado demais.
O meu avô sabe que ramo da videira deixar
E que ramo da videira podar.
O meu avô conhece a voz de dor
E a voz de fome dos animais.
O meu avô sabe fazer vinho das uvas,
Leite das vacas, frutos da terra
E outras magias mais.
O meu avô...

17 abril, 2006

Caminhos (2)

"«Ama e faz o que quiseres». Esta famosíssima frase de santo Agostinho tem que se lhe diga. É que quem ama, só pode fazer o bem. E querer o bem é muito exigente. Não é «ama e faz o que te apetece», o que seria uma contradição. É antes: «Se amares de verdade, vais saber escolher o bem e o melhor.»"


Vasco Pinto Magalhães, em "Não há soluções, há caminhos"

14 abril, 2006

"porque nos criaste para Ti e o nosso coração vive inquieto,
enquanto não repousa em Ti" (Santo Agostinho)