13 junho, 2012
(in)gestão permanente
quando todos os dias tem mais horas do que deveriam ter, pergunto-me:
a que dias por vir estarei eu a roubar estas horas?
24 março, 2012
(In)utilidade
24 janeiro, 2012
à noite II
quatro paredes brancas, altas, concentradas,
às vezes um sinal
de que é possível respirar.
às vezes.
e continuar.
quatro paredes brancas, altas, concentr...
22 janeiro, 2012
o corpo: sinfonia em (des)construção
o tempo contraria o movimento do corpo.
quem dera parar. quem dera parar.
não há nada, nada, passível de ser detido
um só instante,
nem dentro do corpo, nem fora dele.
a imobilidade do corpo é uma ilusão.
a solidez do corpo é uma ilusão.
é mais sólido o tempo
no seu permanente movimento,
a empurrar tudo para o presente do futuro,
do que o corpo.
é mais sólido o ar,
do que o corpo.
as moléculas imperecíveis do ar,
azoto, oxigénio, vapor de água, ozono,
dióxidos vários, monóxidos mil,
pedras infinitesimais da matéria em permanente vibração
dilacerando os corpos ao passar.
é mais sólida a dor de existir
do que o corpo.
essa dor impossível de esconder,
é só o ar, é o ar ao passar,
essa dor impossível de mostrar,
ninguém quer ver, ninguém quer ver.
seria tão mais fácil desexistir,
seria tão mais fácil deixar o corpo ganhar:
agora já não posso parar, agora já não podes parar.
a pele intocada, intocável,
a pele habitada, lugar onde o tempo se dilata,
a pele obstinada, insolente,
deslizando líquida sobre os objectos-ossos-orgãos,
desenhando as curvas oblíquas do silêncio.
a noite é tão funda
que te prende as palavras à garganta
como nuvens, palavras-voláteis-mudas.
por isso quando falas, quando calas, chuva.
(não digo nada, não digas nada)
adivinho-te no corpo, encerradas, planícies desmedidas,
onde a infância te corre descalça
e o brilho selvagem da esperança
te fere o olhar ainda.
abre os olhos: vê,
a beleza do mundo entra pelos olhos adentro
incandescente e rara,
capaz de derrubar qualquer fronteira.
abre os olhos: sente,
a dor do mundo entra pelos ossos adentro,
fera e fria,
capaz de arrefecer qualquer convicção.
a morte aqui tão perto. omnipresente.
o tempo escorre-te dos dedos
a uma velocidade logicamente irracional.
o tempo escorre-te dos medos:
quem queres ser afinal?
a morte aqui tão perto,
dentro do teu corpo-coroa-cara,
a uma distância infinitesimal.
abre os olhos: ouve,
a sinfonia intermitente da vida,
a pulsação suspensa por um fio. frágil.
no dia em que o meu coração parar,
todos os meus átomos serão finalmente livres para ser
terra, pedra, rio, pássaro, fogo, sal,
elementos (in)significantes na harmonia imanente do mundo,
a vibrar para além de mim, antes de mim, depois de mim.
agora.
ainda.
dentro de ti.
dentro de mim.
[os elementos são.
não há outra opção senão ser.
é uma certeza nuclear.]
Bon Iver - Perth (Deluxe)
longe demais ou perto demais?
demasiado lento ou demasiado rápido?
o que vemos? como vemos?
o mistério permanente do tempo
ao alcance do nosso olhar?
23 julho, 2011
oportunidades
04 abril, 2011
É para já!
22 março, 2011
06 março, 2011
2+2=5
18 fevereiro, 2011
horários
gosto da manhã. da luz da manhã. da sensação de que todas as coisas são ainda possíveis. do pequeno-almoço. do cheiro a café.
gosto da noite. do silêncio. de conduzir pelas estradas vazias. das conversas intermináveis. do luar. de ver o dia nascer. de ouvir o dia nascer.
gosto de dormir muito, mas não me consigo deitar cedo. por isso no tempo de aulas durmo pouco e vejo muitas manhãs. nas férias durmo muito e vejo muitas noites, poucas manhãs.
29 janeiro, 2011
Mais
15 janeiro, 2011
Coldplay - See You Soon
09 janeiro, 2011
fim do semestre
estes são dias de hibernar. não estou cá. estou retida. estou contida. estou ausente.
21 junho, 2010
quase...
22 maio, 2010
26 maio, 2009
confissões
29 janeiro, 2009
mundo, liberdade e agricultura
(Não tirei fotografias antes e depois, ou seja, esta imagem não é do meu bonsai...)
A questão é: não sei como podar um bonsai. Deduzi que devia tentar orientar o crescimento dos ramos preservando uma imagem global que me parecesse natural. Não sei se o que fiz está bem ou se está mal, mas se a árvore morrer entretanto acho que vou ter a minha resposta. Se ela sobreviver fico na mesma: não sei se foi porque eu podei bem, ou se foi o bonsai que resistiu à agressão por teimosia. (uma coisa é certa, o bonsai está a durar mais tempo do que todos os peixes que me ofereceram antes dele)
Segundo me lembro do que já li, os ramos do bonsai não devem cruzar-se uns com os outros, devem ter espaço para crescer de forma confortável. Depois há aquela questão do tronco fazer um S... mas isso está nitidamente fora do meu alcance!
É difícil cortar ramos, nunca sabemos se estamos a fazer a opção certa; é didícil cortar com o supérfluo e deixar só o que é essencial, embora depois de cortar pareça óbvio que viver com menos nos dá mais liberdade de movimento e até de pensamento. É difícil dizer não, quando se é constantemente bombardeado com opções, necessidades, imposições. É difícil resistir e manter a velocidade escolhida quando a toda a volta o mundo se movimenta ao dobro da velocidade, incitando ao passar: faz mais isto e mais aquilo, olha esta oportunidade, vira ali, corre acolá.
[imagem daqui]
07 janeiro, 2009
Ano novo
11 dezembro, 2008
tempo para apreciar as cores do poente quando volto para casa, tempo para estar em silêncio, tempo para beber chocolate quente, tempo para almoços e jantares de natal, tempo para passear com a família.
Só não sobra tempo para arrumar o quarto... estranho...
11 outubro, 2008
a cada coisa o seu tempo
Hoje é Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, por isso recomendo:
- uma visita ao site da Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos:
http://www.apcp.com.pt/
- a crónica de ontem da Laurinda Alves:
http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/143383.html
- e já agora uma pequena entrevista da Laurinda Alves ao Dr. Daniel Serrão:
http://videos.sapo.pt/ZiDcVPzBqoAmulonel2G


