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13 junho, 2012

(in)gestão permanente


quando todos os dias tem mais horas do que deveriam ter, pergunto-me:
a que dias por vir estarei eu a roubar estas horas?


23 maio, 2011

70 km/h


no sábado levava a avó e a Lina no carro:
"olhe aquela é a casa do Fernando, está a ver?"
"e agora, já sabe onde é que estamos?"
"não, ainda não atravessamos a ponte"
"olhe o milho como está grande, nasceu muito bem"
percebi finalmente por que é que o meu avô conduzia tão devagar.
porque quando se conduz rápido demais, como eu normalmente conduzo, não se consegue ver se o milho já nasceu.


17 maio, 2011

GIVE CHILDREN A HEALTHY START IN LIFE


Why Bother? from ONE Campaign on Vimeo.


New and effective vaccines are now available to help prevent two of the biggest killers of children under 5: pneumonia and diarrhoea. With these vaccines we can save 4 million kids' lives in the next 5 years. But we've only got a few weeks to make it happen. Next month world leaders are meeting at the Global Alliance for Vaccines and Immunisation pledging conference to decide how much they will support the roll out of these vaccines in developing countries.


Help protect children for a lifetime by adding your name here:

http://www.one.org/international/actnow/vaccines/o.pl?id=2318-4763128-UKSEpRx&t=3



14 maio, 2011

Receita


um oásis.
só preciso de cinco minutos de oásis por dia para me abstrair da quantidade de trabalho que tenho pela frente e descansar.
e um café.
um café depois do almoço para enfrentar a tarde, noite, madrugada (o tempo que for) com energia aproximadamente constante.



04 janeiro, 2011

(des)existir


luz e sombra
angústia e sede:
a distância tece-te
em meus dedos.
já não sou livre,
já não sou perto,
sou a retórica dos teus medos,
sou a esperança esquecida,
sou a voz dos teus segredos,
sou a ausência da criança,
sou a manhã branca e mordida
pela pulga na balança.
sou as mãos do teu silêncio,
sou as noites que não dormes
e as insónias que não tens.
sou a palavra escondida
na tua página vazia,
sou a rotina que te azia.
sou o verbo que desistes,
sou o substantivo que não usas,
sou complemento directo a que resistes.
sou o cansaço que não dizes,
sou tua dor que não descansa,
sou o teu sonho por cumprir
por isso levanta-te e dança
que eu estou decidida,
vou ficar (estou perdida,
não tenho nada a perder).


02 dezembro, 2010

nada


não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, (isto sou eu a não escrever) dói-me, mas não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, estou calada, está-se mesmo a ver que estou calada, não digo nada, fico aqui quietinha e calada, não vou escrever, hoje definitivamente não vou escrever mesmo nada.


26 novembro, 2010

a paz que eu não tenho


aquilo que na vida posso controlar com precisão é tão ínfimo que a maior parte do tempo vivo em luta com tudo aquilo que não posso controlar. resultado: perco tempo e energia para nada. se pudesse decidia agora: desistir de controlar tudo e viver em paz com o aumento de entropia consequente... mas essa é precisamente uma das coisas que não consigo controlar.


24 novembro, 2010

Maria Rita - Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)




"paz sem voz não é paz é medo [...]
é pela paz que eu não quero seguir admitindo"

(O Rappa, Marcelo Yuka)


De passagem


sob a aparente calma dos dias,
sob a pele, como uma segunda alma,
a urgência constante do encontro,
a urgência constante da viagem.
atravesso os meses com a mala arrumada,
pouca coisa: coragem, liberdade, quase nada.
tacteio na escuridão do presente,
vasculho no rumor indecifrável da rotina,
um sinal, uma palavra, uma imagem
que me devolva a memória do futuro,
que me inspire as coordenadas da próxima paragem.
hoje, agora, amanhã: não estou parada,
estou um passo mais perto da chegada
estou um instante mais perto da partida.


05 novembro, 2010

energias alternativas


hoje sou uma máquina movida a café...
vrummmm, vrummm, cofff, cofff.


04 novembro, 2010

Inércia


inércia.
sono.
estupidez aguda
ou indolência generalizada?
o tempo a passar
e não fiz nada.
nada de nada.
...
vou fazer uma pausa.
(de quê?)


10 junho, 2010

sem título

na fronteira
de todos os pensamentos nenhum.
vazio, imóvel, frio,
em cada palavra,
em cada gesto te desafio.
toque, sopro, espaço,
em cada dia me deito,
em cada hora me esqueço,
escondo, minto, nego,
corro, fujo, faço.

07 junho, 2010

Conjugar o verbo estar


às vezes ficamos tão preocupados com o não cumprimento dos nossos planos que não aproveitamos o momento, nem as pessoas que temos ao nosso lado.
depois o dia passa, a noite vem, passa outro dia e outra noite e com o passar do tempo as coisas já não parecem tão terríveis, porque não o são de facto.
é importante relativizar e rirmo-nos de nós próprias, da nossa impaciência, da nossa urgência, quando aquilo que podemos de facto controlar à nossa volta é ínfimo...

29 janeiro, 2010

Cinzas



Estes são os dias brancos
em que me esqueço
e o sal queima à nascença o teu desejo
filigrana de cinzas nos meus dedos.

Não era tarde
se viesses perder-me agora
e aos teus passos ruíssem as paredes
e o vento frio por dentro me habitasse.

Não era tarde, era a hora
tão esperada e por isso já esquecida,
de quem sempre espera
e nunca se demora.

Se tu soubesses (se o saber bastasse)
as nuvens que me enchem os pulmões
e que de respirar meu corpo amadurece
e cai desamparado nos umbrais.


23 janeiro, 2009

David Fonseca - Song to the Siren / Who Are U? - Sudoeste 08


Eu não estive no Sudoeste, estive ontem no Coliseu do Porto e foi muito bom!!! Aqui ficam 3 videos do Sudoeste para lembrar a noite de ontem e para aqueles que não tem visto o que o litle david boy anda a fazer :-)

22 agosto, 2008

coisas com luz



coisas com luz. há dias em que precisamos de coisas com luz. faz-nos falta. há dias em que o cansaço parece maior, ou a esperança parece menor, e precisamos de ser iluminados por algo ou por alguém para recuperar qualquer coisa que parece que perdemos e não sabemos bem o que é. às vezes basta rir. rir de uma parvoíce qualquer. e tudo fica mais leve.


Vou criar uma nota para casos futuros:
não dar tanta importância às coisas
às coisas?
às coisas em geral


imagem daqui

02 julho, 2008

Radiohead - Idioteque

e com esta termino... entrando na órbita do cometa radiohead à velocidade alucinante de idioteque. definitely in the mood for radiohead.

10 maio, 2006

na solidão das coisas inevitáveis sinto a urgência da vida. o dia de hoje nao se repetirá amanhã. o que nao cantei, ou não ri ou não chorei hoje, nao vou cantar ou rir ou chorar amanhã. hoje há todo um mundo que se acaba. posso adiar-me? posso adiar-te a ti? no entanto dir-me-ás talvez, e com razão, que não é justo que te invada a paz com a minha dor, ou que grite sem razão gosto de ti. pois se está tudo tão bem assim. nesta aparente paz de pequenos passos sempre repetidos. neste lugar antigo, tão antigo que já nao sei bem se não sou eu já que o trago comigo.
hoje é mais um dia em que nao farei.
queria eu ser capaz de te dizer: vai-te embora! vai-te embora agora! não venhas amanhã, não venhas à mesma hora, não venhas mais. se fores amanhã cairei dois palmos de ar, daqui a um mês cairei do quarto andar.
queria eu poder dizer-te: vai-te embora já! mas tenho medo que o consigas fazer.
por isso hoje não faço nada e amanhã nada farei. e no entanto esta urgência cá estará para me roer um pouco mais. esta urgência de viver que não se cala, que não se pára, que não se vai.

04 maio, 2006

a morte espreita-nos a cada esquina, tão certa como o facto de estarmos vivos, tão certa como respirar. "alguém morre de fome a cada 3 segundos" diziam no outro dia... uma frase impossível de racionalizar, mais ou menos como dizer que o universo é infinito e está em expansão... quantas vezes passaram 3 segundos desde que comecei a escrever? quantas vezes passaram 3 segundos desde que começaste a ler?
a maior parte do tempo nem nos lembramos dela, preenchemos o tempo com muitas pequenas coisas pouco importantes e deixamos outras tantas pequenas coisas às vezes mais importantes por fazer.
então de repente ela surge mais perto, efectiva ou apenas rondando... alguém mais ou menos conhecido, mais ou menos próximo... e torna tudo relativo, faz voltar questões que se tenta esquecer ou evitar...
será que o que faço me realiza? será que estou a fazer as escolhas certas? será que estou a dar importancia às coisas certas?
será que vale a pena correr tanto?
hoje está sol. talvez devesse sair mais cedo e andar a pé. talvez devesse increver-me no ioga ou em aulas de danças de salão. talvez devesse visitar alguém que não vejo há muito, ou escrever uma carta que ando a adiar. talvez devesse parar para pensar e mudar de direcção...
hoje não é cedo demais para mudar