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15 fevereiro, 2012

Jeff Buckley - I know It's over



'Cause tonight is just like any other night



22 junho, 2011

14 maio, 2011

Receita


um oásis.
só preciso de cinco minutos de oásis por dia para me abstrair da quantidade de trabalho que tenho pela frente e descansar.
e um café.
um café depois do almoço para enfrentar a tarde, noite, madrugada (o tempo que for) com energia aproximadamente constante.



22 março, 2011

memória II


pela noite adentro.
o relógio a morder-me os calcanhares.
lentamente.


memória


à volta, à volta, à volta de um trabalho sobre memória...
parece que me tenho esquecido.


28 janeiro, 2011

(des)existir III


há uma linha que marca a fronteira. há uma linha para lá do cansaço, para lá da razão... e cada passo que dás nessa direcção aumenta grão a grão o teu desfasamento com o resto do mundo. o mundo vai ficando cada vez mais longe e desfocado. o corpo cada vez mais lento e mais cansado. quanto tempo se pode caminhar nesse deserto? quanto tempo vive uma árvore sem raiz? quanto tempo até o corpo desistir? quanto tempo até o vento apagar os teus passos e não saberes mais para onde voltar? quando tempo? um dia? uma hora? um passo?


18 janeiro, 2011

o lado-luz dos dias-sombra


hoje o meu cansaço é daqueles que tem raízes antigas e profundas, daqueles que continua a doer no corpo mesmo depois de dormir. [daqueles que quase me faria escrever (te).]
hoje o meu cansaço é também mais lúcido: vejo como me tenho deixado governar pelo trabalho e não tenho respeitado os meus limites, vejo que tudo o que me dói é falta de liberdade. falta de liberdade se só tenho tempo para trabalhar e se me desiludo como se tudo dependesse de mim. falta de liberdade se vivo centrada na minha vidinha, neste círculo fechado e pequeno onde só cabem as minhas necessidades urgentes, as minhas pessoas ausentes, as minhas dores, os meus cansaços, os meus objectivos. falta de liberdade se me iludo com os meus desejos e invento papéis para os outros, e desespero com a espera, e me angustio com as ausências e com a liberdade dos outros. [por que é tão difícil respeitar a liberdade dos outros de ficar ou de partir?]. falta de liberdade se por desilusão me isolo e ignoro a vida que chama lá fora todos os dias: tenta mais, faz mais, vive mais, dá mais! falta de liberdade se me ocupo e ignoro a vida que me chama cá dentro: acredita mais, faz melhor, vive em paz, dá gratuitamente!
no meio do cansaço percebi também que preciso muito desse lugar chamado casa e que esse lugar não é simplesmente um lugar-lugar, mas sim um lugar-pessoas. a minha casa é onde estão as minhas pessoas-casa. e quando estou muito cansada descanso melhor se estou ao lado delas. às vezes não preciso sequer de desabafar com elas, basta-me estar com elas e ouvi-las e falar das coisas banais dos dias e das coisas importantes que nos angustiam, que nos movem, que nos comovem, basta-me estar com elas sem dizer nada para me sentir em casa e ficar melhor. [se o cansaço me faz olhar melhor para mim, para os dias e para os outros, então não pode ser mau. afinal, nada é só bom ou só mau.]


13 janeiro, 2011

dias de inverno e erosão


sentimentos e ilusões em constante confronto com a realidade - a erosão a gastar-me por dentro, a esculpir fronteiras, montanhas, falésias interiores. o cansaço à flor-da-pele a estender raízes para o lado de dentro... não sei por onde andam, mas às vezes sinto-as: pequenas vibrações, pequenas (in)dores.
cada palavra que escrevo é silêncio que me ocupas; a cada palavra-passo estou um instante mais longe. a cada instante inspiro o que te afastas e paro, espero. em cada instante adivinho o princípio, o meio, o fim, realidades separadas ou diferentes existências condensadas numa mesma realidade, presentes em potência em cada pessoa, em cada oportunidade, em cada escolha? isto é o princípio, ou o princípio do fim? ou somos um meio para atingir um fim? ou somos fins, mas não há meio de principiarmos?


11 janeiro, 2011

citação


"o esforço é uma espada de dois (le)gumes"