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21 dezembro, 2010

palavras tantas


muitas vezes (a maior parte das vezes) tenho muitas coisas a dizer a muito poucas pessoas, geralmente a uma só pessoa. quando essa pessoa não está presente ou disponível, não sei o que fazer com todas as palavras que me sobram: guardo-as nos bolsos, mas os bolsos ficam cheios depressa demais, digo-as a outras pessoas, mas não parecem entendê-las, calo-as, mas continuam a crescer em número e intensidade. não me resta outra solução senão escrevê-las. às vezes basta uma enumeração indiscriminada, outras vezes escrevo alguma coisa secundária em que perco algum tempo a pensar, outras vezes tenho que escrever exactamente o que queria dizer. tenho algumas palavras preferidas, poucas, raras, palavras de estimação que uso frequentemente, mas com cerimónia (luz, sombra, espera, raras, liberdade). às vezes apetece-me usá-las todas de uma só vez, ceder à urgência de dizer tudo (tudo o quê?), ficar reduzida a cinzas, vazio, ausência de mim em mim (paciência, procura, medo, paz, pássaros, urgência, rio). às vezes, por muito que queira falar, os outros pedem-me silêncio (distância, cinzas, ausência, silêncio, morte, espaço, vazio). que assim seja (parar, escrever).


02 dezembro, 2010

nada


não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, (isto sou eu a não escrever) dói-me, mas não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, não vou escrever, estou calada, está-se mesmo a ver que estou calada, não digo nada, fico aqui quietinha e calada, não vou escrever, hoje definitivamente não vou escrever mesmo nada.


18 novembro, 2010

(falta de) liberdade?


nenhum gesto é neutro,
nem a escrita,
tudo é desejo, procura, intenção.


05 novembro, 2010

Segredo


uma carta! corri para o correio. há tanto tempo que não recebia uma carta. o papel, o cheiro, o desenho das letras, carimbos, selos, o tempo nas dobras, língua, cola, voz, tinta, esperança, silêncio, medo.
guardei a carta no bolso, sem abrir. adiei-te como quem prolonga um prazer. caminhar pelo dia com uma carta por ler. tua. o dia inteiro essa notícia repetida, esse segredo no bolso, um murmúrio intermitente a massajar-me a palma da mão, uma resistência imperceptível do papel contra a perna ao andar, uma corrente de ar porque alguma janela mal fechada no coração (ou é o medo a jogar ao esconde-esconde com a esperança. desarrumam-me tudo!)
quanto tempo vou aguentar? umas horas? um dia? mais que um dia? será que consigo dormir com esta carta no bolso? por ler. tua. não sei, mas sabe-me bem não ler, como quem caminha por instantes de olhos fechados na rua, sem ter medo de tropeçar, ou do que os outros vão pensar, porque no fundo caminhamos sempre de olhos fechados para o futuro. confio de olhos fechados que há muito mais do que aquilo que se vê. confio de olhos fechados que não preciso de tentar prever tudo o que vai acontecer.


19 julho, 2010

B Fachada - O Desamor


e por falar em canções (mas agora canções a sério) aqui fica o B-Fachada, despretensioso e arejado, tradicional e inovador, descontraído e corrosivo... Para quem não conhece vale a pena parar e escutar, nem que seja para não gostar... parece-me que já não encontrava letras assim desde o Sérgio Godinho, ou desde o Manel Cruz.

Já agora, o novo disco "Há festa na moradia" está disponível para download gratuito em www.mbarimusica.com/. Música para agitar depois de usar, para agitar o corpo, para agitar ideias, para arejar o coração. Disco para embalar as férias e o Verão.




26 maio, 2009

confissões


não escrevo porque não tenho nada a dizer... ou porque não sei escrever, ou porque o tempo me pede contas de tudo o que não faço e de tudo o que faço e não devia fazer porque devia estar a fazer outra coisa qualquer (que provavelmente não me apetece fazer).
não escrevo porque tavez me encontre e talvez me diga o que não quero saber.
não escrevo porque me preocupo e pré-ocupar-me ocupa-me todo o tempo que eu poderia ter para escrever. preocupo-me com as aulas que correm menos bem e com as aulas que correm mesmo mal e com as aulas que correm mais ou menos. preocupo-me com os papéis que tenho que preencher e com os planos que tenho que fazer e com as decisões que se aproximam não como se eu as decidisse, mas como se elas se antecipassem e me cobrassem resposta: agora! preocupo-me, não, chateio-me, chateio-me com os livros que compro e que não consigo ler, ou porque nem começo ou porque me esqueço ou porque desisto de acabar. chateio-me se falo alto, se sou impaciente, se chego atrasada, se sou criticada, se não arranjo tempo para estar, se prefiro mentir a enfrentar, se prefiro fugir a parecer menor. chateio-me se não sei parar, se não sei agradecer, se não sei rezar, se não digo bom dia, se não me comprometo, se não sou útil quando podia ser, se não sou livre (tanto quanto podia ser).


chateio-me se me chateio comigo mesma demasiadas vezes sobre demasiadas coisas desnecessariamente.


(isto é nitidamente falta de sono)

23 janeiro, 2009

outros blogs

hoje aproveito também para fazer publicidade a um blog que descobri há pouco. já há livros do autor espalhados por aí. é um blog altamente recomendável, escrito com sentido de humor, opiniões interessantes e interpelantes. a actualização é praticamente diária, ou seja, todos os dias há coisas novas:


seth's blog



20 março, 2006

Dúvida

criei um blog, para poder comentar os outros blogs e agora persegue-me este espaço que criei... não sei bem o que lhe fazer... passou a existir e tendo eu essa consciência não sei se lhe consigo resistir, apesar de ter evitado a todo o custo e durante tanto tempo, criar um blog...
o que faço agora?
escrevo porque é inevitável... não digo a ninguém que me conheça que este lugar não-lugar existe e assim para efeitos práticos é como se ele não existisse.