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20 março, 2011

dar... ou dar-se


dar sem querer nada em troca... é difícil? muito. mesmo quando nos convencemos de que somos desinteressados, muitas vezes esperamos uma retribuição, um reconhecimento, talvez apenas um obrigado bastasse, mas nada, nada de nada (mesmo nada) é difícil de digerir.

quanto mais não seja, dar dá, muitas vezes, alguma satisfação interior... mas dar pelo bem do outro e não para nos sentirmos melhores pessoas... dar a quem nos irrita, dar a quem nos tira (a paz e paciência), dar a quem nos incomoda... é difícil? muito.

e quando digo dar... não quero dizer necessariamente dar alguma coisa material, às vezes quero dizer dar-se. é difícil? muito, mas só o facto de estarmos atentos faz-nos encontrar muitas oportunidades de dar... oportunidades que temos todos os dias e que por distracção ou preguiça desperdiçamos.


03 janeiro, 2011


"Houvesse um sinal a conduzir-nos
E unicamente ao movimento de crescer no guiasse. Termos das árvores
A incomparável paciência de procurar o alto
A verde bondade de permanecer
E orientar os pássaros"


Daniel Faria
in "Poesia" (2009)
Edições Quasi


18 novembro, 2010

(falta de) liberdade?


nenhum gesto é neutro,
nem a escrita,
tudo é desejo, procura, intenção.


23 julho, 2010

revelação


(era) segredo


eu que nunca sei dizer o que sinto (mais depressa fujo, mais depressa minto) e detesto que me vejam chorar (mais depressa coro, mais depressa finjo ter um cisco no olho ou uma alergia ao oxigénio do ar) comovo-me em segredo, por tudo e por nada, a toda a hora, em qualquer lugar.


(e ainda é)


14 julho, 2009

ser(á) outro




dedilho nos meus dedos
a tua (im)paciência.

aspiro à integridade como a um balão de ar quente
que já partiu e que vejo sempre ao longe,
um ponto minúsculo no horizonte.

dedilho nos meus dedos
a noite e a verdade.
consagro inúteis o desejo e a vontade.

substraio o resto ao produto do divisor pelo quociente
e deito fora o excesso de dividendo.
sobra a verdade que ninguém quer, só eu,
que não me serve de tão pequena e vã,
mas emagreço só para lhe servir
e de todos me afasto e me despeço.


01 julho, 2008

portas e janelas de música


há muito tempo que a música me parece um bom caminho para perceber melhor as pessoas. muitas vezes e quase por instinto, quando me aproximo de alguém começo (ou acabo) a ouvir as músicas que essa pessoa mais gosta, como se essas músicas fossem portas ou janelas que essa pessoa me abre sem falar, até porque quando as pessoas falam, falam com as suas reservas, com as suas defesas, com a sua ironia, mesmo que estejam plenamente convencidas da verdade que estão a dizer. agora se me dizem esta música faz-me chorar, esta música faz-me rir, esta música faz-me dançar, sozinho no quarto onde ninguém vê, esta música foi feita para mim, é assim estar dentro de mim, isso é outra conversa. já não falamos de palavras, ou de filosofias, ou de verdades, falamos de beleza, de procura, de sentimentos. experimenta. deixa-te influenciar...



vou ilustrar o que disse com as minhas músicas preferidas.


28 junho, 2006

Gente Perdida

"Eu fui devagarinho
Com medo de falhar
Não fosse esse o caminho certo
Para te encontrar
Fui descobrindo devagar
Cada sorriso teu
Fui aprendendo a procurar
Por entre sonhos meus

Eu fui assim chegando
Sem entender porquê
Já foram tantas vezes tantas
Assim como esta vez
Mas é mais fundo o teu olhar
Mais do que eu sei dizer
É um abrigo pra voltar
Ou um mar para me perder

Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
A gente finge
Mas sabe o que não é verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta

Eu fui entrando pouco a pouco
Abri a porta e vi
Que havia lume aceso
E um lugar pra mim
Quase me assusta descobrir
Que foi este sabor
Que a vida inteira procurei
Entre a paixão e a dor

Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta

Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E guardo este abraço só para ti"

Mafalda Veiga



(amanhã talvez escreva, hoje alguém escreveu por mim)