05 novembro, 2012
Dúvida
24 janeiro, 2012
à noite II
quatro paredes brancas, altas, concentradas,
às vezes um sinal
de que é possível respirar.
às vezes.
e continuar.
quatro paredes brancas, altas, concentr...
à noite
à noite
teço os meus dias,
os meus dedos.
ao longe: as palavras.
as melodias interiores das palavras.
ao perto: incandescente,
luxuriante, a luz
da alvorada.
prometida.
22 abril, 2011
Arvo Part - Fratres For Cello And Piano
pela música não pelo filme (embora tenha gostado do filme).
pelo silêncio a que (est)a música nos impele.
e mais não digo: (hoje).
18 abril, 2011
sentido de oportunidade I
mais do que muitas palavras,
mais do que palavras a mais,
o silêncio diz-te muito bem
e cala-me ainda melhor.
31 março, 2011
Haikus - Tentativa 1
na multidão de anónimos
caminhar.
silêncio.
no muro dos dias
tricotar janelas,
ver.
tempo de dar.
tempo de parar.
(in)decisão.
entra pela porta fechada.
a verdade nos gestos, o silêncio na boca.
a beleza.
ruído de passos.
ninguém.
a memória.
24 dezembro, 2010
oração
que o silêncio te diga
o que não te sei dizer.
que o silêncio te abrace
se não te posso tocar.
que o rio do tempo
te traga a salvo para casa,
seja ela no mar
ou noutro qualquer lugar.
[se a fizeres sobre as ondas
que as saibas navegar,
se a construíres nas nuvens
que aprendas a sonhar.]
06 dezembro, 2010
inverno
29 novembro, 2010
evitar (te)
porque me custa tanto falar (te)
porque me custa tanto calar (me)
escrevo aqui para evitar encontrar (me)
descrita noutro lugar onde pudesse encontrar (te)
22 novembro, 2010
Pressentilêncios
não sei se é de luz este instante,
de silêncio, ou espanto.
não sei se é o sabor deste encontro
que me acorda por dentro.
pressinto os teus passos no rumor dos dias,
é solitário o teu caminho,
vã é a minha pressa.
o tempo não se detém na curva das horas,
a manhã submersa, a tarde tão escassa,
passas por mim amanhã?
(passas por mim agora?)
é tua esta voz? é teu este braço?
não te digo ainda o que me adivinho,
hoje ainda é cedo, o momento é raro,
hoje só pressinto, espero um dia claro,
hoje faz cinzêncio, paro, calo, espero.
10 novembro, 2010
29 junho, 2010
"Eu sou o amor"
imagem retirada daqui
27 maio, 2010
depois da tarde
palavras suspensas na garganta
por um fio invisível, rente à língua,
à míngua de água. fome.
palavras suspensas no ar
como frutos em queda entre o sonho e o chão,
Palavras suspensas no verbo
cair. [dizer, silenciar, mudar, partir]
palavras suspensas na vontade:
[medo] de te [ser]
palavras suspensas nas mentiras que tecemos.
viscosas. mãos. fundo.
24 maio, 2010
a tarde
a tua pele de sal.
a tua boca de mar.
o teu corpo de areia e de sol.
a tua boca de sal.
a tua boca de sal.
a tua boca de sal.
16 maio, 2010
espera(r)
esperar é a capacidade dos que ainda são capazes de viver com esperança, dos que ainda são capazes de acreditar no mundo, nas pessoas, na beleza, na verdade, na justiça,...
esperar está para a acção como o silêncio para a música (ou para a palavra) e já se sabe que não há boa música sem silêncio.
20 abril, 2010
silêncio.
pudesse calar-te às vezes,
ou fazer-te falar,
quando quero,
quando expiro,
quando não sei dizer-te
que preciso.
(nunca sei dizer-te nada).
espera.
dos dias roubados
ao silêncio.
de esperança perdida
na azáfama dos dias roubados
ao silêncio.
estas brancas palavras de esperança perdida
na azáfama dos dias roubados
ao silêncio.
foz.
do outro lado do mar.
do outro lado do rio.
do outro lado de nós.
06 outubro, 2009
sede
chuva
e essa poeira lentíssima que vem com ela,
como um lençol invisível que cobre os ombros de todos
de triteza e de cinzento.
chuva
torrencial
de vazio e de desejo,
diluindo a visão e a memória.
terra
quente e muda de sede,
poros dilatados, e vales, rios e bocas
abertos ao céu, língua áspera de fome,
se mãos tivesse das nuvens beberia
sofregamente.
07 novembro, 2008
silencio
podia dizer-te com palavras
coisas normais dos dias e das pedras,
coisas do andar e do fazer.
podia dizer-te com palavras
coisas simples e claras,
coisas do sentir e do ser.
mas não direi nada
que não saibas já,
por isso calo todas as palavras
e procuro dentro de mim a tua voz.
08 outubro, 2008
do tempo que demoro chegar a casa
nessas horas em que me sobram palavras
não te digo nenhuma,
antes cerro os dentes,
sustenho a respiração
e fico ali imóvel
perante o desenrolar invisível
desse fio, desse rio, desse mar de
palavras infindáveis e mudas
que não te direi.
fico ali como fonte inesgotável,
guardando a água para o lado de dentro
(até me constipar de desesperança):
não há palavras que me sirvam,
não há palavras que nos sirvam.
nada do que eu penso me pode explicar,
nada do que eu sinto te pode salvar,
onde eu sou tu já não estás,
onde tu és eu nunca estou.
às vezes porém,
regresso a casa com esse travo na boca
do deserto e da sombra
que trazes nos teus passos...
(porque não pressinto em ti nenhuma luz)
regresso a casa e demoro a chegar,
demoro a recuperar dessa dor
que não te larga,
dessa resignação, dessas cinzas,
dessa morte que te habita antes do tempo,
regresso a casa e demoro a deixar-te.
02 setembro, 2008
os últimos dias
aqui onde o tempo não passa
eu sou
esta sede de encontro e distância,
eu sou
a memória da esperança,
eu vou
voltar ao zero, ao princípio, ao silêncio,
apagando todas as marcas
que me deixaram na pele.
eu principio
e ninguém me procura as asas
(não sabem).
eu quero, ser
terra de ninguém.
esse instante suspenso numa gota de orvalho
antes de cair
