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04 agosto, 2008

tempo I




depois de um ano a escrever a tese, as provas duraram 1h,30... parece curto. (há peças de teatro mais longas). correu bem (falta-me aprender francês para ser a donzela perfeita). desde então ainda não parei, mas no fim de semana reparei que o tempo é todo meu... estranhei, mas sou capaz de me habituar.


06 maio, 2008

Princípio




este tem sido um período de ausências.
ausência de pessoas, ausência de velhos hábitos, ausência de horários normais, ausência de saídas descontraídas e informais, ausência de conversas infindáveis, ausência de encontros, de desencontros, ausência de tarefas manuais. hoje caminhar ou limpar a casa tornaram-se tarefas oasis. um prazer para as mãos e um alívio para a mente. hoje saio ao fim da tarde para fotografar flores do jardim e dou-me conta das diferenças de um dia para o outro. a vida não pára. se do lado de cá a vida parece estar imóvel há meses numa secretária com um computador ao centro rodeado de papeis, do lado de lá da porta, a vida não pára, as flores crescem e murcham a uma velocidade alucinante e assim os outros e assim eu própria, assim as minhas células nascem e morrem diante dos meus olhos. quando finalmente me disserem: podes sair acho que nem me vou mexer. ficar a ouvir o ruído do mundo e não responder e nem mexer um músculo, não fazer nada. ou então dormir: esperar pelo fim de todos os sonhos que não tenho sonhado para acordar. e como durante o sono o não há tempo vou acordar no instante seguinte, levantar-me ligar o computador, esperar pelo meu habitat natural, digo, pelo meu ambiente de trabalho, abrir as pastas sucessivamente: documentos, fac, mestrado, tese, cap9-conclusão e perceber que já acabei e que não tenho nada a fazer ali, nem em lugar nenhum, nem nesse dia, nem no outro, porque todos os dias estarão em branco, indefinidos, informes, selvagens, prontos a ferir-me até ao osso com a sua beleza de marfim intocável, com a sua abundância de horas livres e moles. dias de miragem e precipício. dias que me lançam do futuro o seu aroma de risco e vertigem. por eles sigo às cegas tacteando no escuro à procura da saída de emergência, da tecla on/off, da opção log out, da palavra FIM no fim da página.






FIM






(fotografia tirada no jardim cá de casa no dia 1 de maio de 2008)


07 fevereiro, 2008

Welcome to my mind



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ughrjdofmfhweyro9qweytowuthkwjgbkfddkiurhtogwyeoqiyhet98y24g




tradução: não disponível


10 dezembro, 2007

ainda não estou aqui


ervil adeuq me ounitnoc
...uotse edno meb ies oãn àj sezev sá
oãhc oa ogehc siam acnun


rarap
rarap sanepa essedup
rimrod


opmet o rarap
ãhnama raçemocer
ritsixe oãn ejoh
ãhnama
sosso son oçasnac etse mes ãhnhama


iuqa uotse oãn adnia
ue uos oãn atse
oxelfer uem o sanepa è
ojev ue meuq è
.ohlepse oa ojev em odnauq






21 novembro, 2007

não estou aqui




estou longe


estou ausente


estou em trânsito


estou em orbita


estou sem tempo

estou a prumo



estou em queda rumo às propriedades dos filmes de polielectrólitos, os ajustes dos espectros de impedância electroquímica e o modelo dos caminhos preferênciais... resumindo:









imagem retirada daqui


19 julho, 2007

notas em contratempo

tantos dias sem escrever que chego a duvidar... saberei ainda juntar letra a letra o meu pensar? saberei ainda, que porta rima com horta e não com pomar? saberei ainda dizer-te, mesmo que agora já não queira dizer-te nada, queira apenas ficar calada sobre as cinzas do que podiamos ter sido, alguma coisa? qualquer coisa... porque o assunto nunca foi muito importante.

tento vislumbrar, em vão, um sentido, uma lógica nos acontecimentos, uma razão para os encontros e para os desencontros, e para as coincidências, mas cada vez mais tudo me parece caótico, quase brutal, todas as caras, todas as vozes, toda a irracionalidade dos sentimentos, toda a irreversibilidade do tempo que já foi.

terei aprendido alguma coisa ao longo do tempo? ou continuo a cometer os mesmos erros repetidamente com diferentes pessoas? só eu a mesma, eu sempre a mesma, sem poder viver fora de mim registando as emoções e os resultados sem chegar a conclusões algumas, sem chegar a desvendar quaisquer sentidos... será este dia diferente de ontem? este encontro diferente dos anteriores? ou será tudo a repetição do mesmo dia, do mesmo encontro, infinitamente repetido até que a vida encontre sozinha o seu próprio fim? serão todos sempre o mesmo tu? um tu inventado por mim que não existe em ninguém, mas que insisto em encontrar a toda a hora, em todos os lugares, em corpos diferentes, com gestos diferentes, que destilo, recistalizo e purifico até reconhecer neles os traços essenciais da minha invenção, falaciosos, como sempre, previsivelmente...

será assim a loucura: encontrar os vestígios da nossa própria invenção? deixar de ver as linhas que separam a realidade da imaginação? tive contigo conversas que nunca aconteceram. encontrei-te inúmeras vezes sem que tu lá estivesses. disse-te ao ouvido segredos que nunca me ouviste. queres vir cá desenhar-me na pele a linha racional que define a realidade?

e podia realmente continuar a escrever-te, como se existisses e eu soubesse o teu nome e até me cruzasse contigo nos corredores, mas o tempo não parou desde que comecei a escrever, e ninguém pode deter o curso dos acontecimentos, ninguém pode parar esta máquina em movimento, que coordena a engrenagem dos dias que passam e nos afastam de nós. as memórias começam já a ser soterradas pela areia das horas. a tua voz soa-me cada vez mais distante e os nossos passos marcam segundos nos relógios de outras casas, outras ruas, outras vidas, em direcção a um longe maior que os meus braços e os meus esforços, maior até que minha vontade.

há muito que te ia deixando partir, só faltava mesmo dizer-te adeus.


05 junho, 2007

nevoeiro




de manhã a sensação de que o dia já tinha começado há muito, talvez há muitas horas, talvez há muitos dias, como se as noites não existissem e o dia de hoje fosse o mesmo contínuo e interminável dia de todos os dias.





deve ser nevoeiro interno.







fotografia de Nuno Milheiro



29 maio, 2007

momento


alturas houve em que tentei adiar-te para um futuro indefinido: daqui a um ano, daqui a dois, quando acabar o curso, quando acabar o mestrado, quando tiver tempo para parar,...
alturas houve em que quis ter a certeza, ou então que tudo se decidisse por si só e eu não precisasse de escolher, assumir, e enfrentar todas as consequências de uma possível escolha...
houve alturas em que quis escolher-te, mas não tive coragem para agir, nem liberdade para me entregar, nem disponibilidade para estar...

hoje só quero estar exactamente aqui, neste momento antes de, mas a caminho de...
qualquer coisa que não sei, mas que acredito que será o melhor.
hoje só quero estar.
respiro-te fundo e desejo ficar aqui e perguntar:
que sonhos tens sonhado tu comigo?

será que eu me atrevo a sonhar contigo?

















ao som de dreaming my dreams aqui


"I'll be dreaming my dreams with you
I'll be dreaming my dreams with you
And there's no other place
that I'd lay down my face
I'll be dreaming my dreams with you"





fotografia encontrada aqui


15 dezembro, 2006

hoje















o tempo passou.
lembro-me de ter entrado em casa em agosto...
volto a sair quase no natal.
volto a sair, volto a respirar, volto a ter tempo para não pensar, volto a dormir descansada.
saio de casa para as ruas iluminadas, para as pessoas apressadas com as prendas por comprar. saio com vontade de caminhar devagar, de não comprar nada que não seja essencial.
saio com vontade de procurar mais, e de fazer melhor.

a solidão escolhida, o silêncio com significado, a sensação de tarefa cumprida, tudo coisas que me fazem ver melhor hoje.
um destes dias quem sabe, serei até capaz de não falar se não tiver nada de bom e importante para dizer, de dizer que não sem me justificar, de olhar para os outros sem pré-conceitos ou falsas expectativas (como é dificil aceitar o outro como é, resistindo à tentação de o tentar mudar).
mas enquanto isso não acontece, acontece hoje. hoje escolho sorrir, hoje escolho agradecer, hoje escolho acreditar, hoje escolho confiar.
hoje volto a sair. o ar frio na cara. é de manhã!








imagem encontrada aqui

23 agosto, 2006





















agosto tirou-me de circulação ou foste tu?
e na verdade ainda não estou cá nem tu
"I don't know, I don't care, all I know is you can take me there"

e porque desaprendi todas as palavras
para poder não te escrever,
ou na esperança de que viesses tu pessoalmente
devolvê-las,
deixo só as imagens de um agosto por cumprir


































































































































17 julho, 2006

nowhere land













(the beginning - 1)



I’m always lost (in translation)
'cause translating people can be too demanding…
When I can’t do something towards understanding
(me/ them/ you)
I should (maybe) do nothing,
just carry on, walking straight
(loosing myself) through
the Milky Way

















(the end - 2)




1- here is
2-(now)here

06 julho, 2006

num plano perpendicular ao chão


hoje faço anos...
hesitei.
entretanto apercebi-me que tenho muitas razões para festejar,
não necessariamente por fazer anos hoje,
mas por hoje ser o unico dia que posso festejar,
este dia, este momento, este agora,
com as pessoas que me partilham comigo estes dias,
estes momentos, estes agoras...
fazer memória...
sorrir face às contrariedades e continuar
e deixar de perguntar se os meus passos me levam na tua direcção
e continuar.
talvez às vezes partilhar um instante,
uma visão.
a lua está no céu já,
mas eu trago cinco penduradas ao pescoço,
uma por cada fase
e outra completamente desfasada
voar não é um momento de felicidade,
um copo de café instantaneo
instantaneamente pronto por agitação
é saber que a felicidade já cá está.
o caminho é o caminhar.
aprender a voar é também voar,
um voo rente ao chão
as asas feitas de pó,
o chão feito ar
é já adivinhar tudo o que ainda não sei dizer,
tudo o que não sei ver,
tudo o que ainda não sei ser
acreditando que o posso ser a partir daqui.
ou bastará talvez ser simplesmente aquilo que sou.
deixar crescer as asas
sem medo que mas descubram debaixo da almofada.
lançar âncoras às nuvens,
só as vezes acertar,
acordar de madrugada,
beber água-só das chuvas,
não desejar mais nada,
não desejar mais nada





com uma asa tocar o céu,
com a outra beijar o chão








fotografia de darren holmes aqui

02 junho, 2006

hoje mais um dia de catálise... penso: está quase a acabar...
hoje o telemóvel ficou sem bateria e fiquei feliz na minha incomunicabilidade...
(um dia na era pré-telemóveis)

hoje não te vi e encontrei-te em todo o lado
e desejei que me calasses na tua boca.
hoje quis beber-te essa tristeza
que trazes nos olhos
só para te ver voar,
só para te libertar.
hoje dir-te-ia:
faria em ti a minha casa,
mas tenho medo de te assustar.
















ao som da nina simone aqui:
"Trouble in mind, yes I'm blue
But I won't be blue always,
'Cause the sun's gonna shine
In my backdoor some day"

fotografia de filipe santos encontrada algures por aqui

26 maio, 2006

é quase noite.
o calor gastou-me até aos ossos
e a sensação de gripe consumiu o resto.
entro finalmente em casa: o nosso castelo nas nuvens que começamos pelo telhado...
está inacabado, mas tem já um quarto estofado azul céu, com o tecto aberto para a noite.
espero que arrefeça.
espero que a noite me adormeça.
espero sonhar contigo.
já tive um dia cheio da tua ausência.














fotografia de Sérgio Rodrigo daqui

25 maio, 2006

"a culpa é da vontade" é certo, mas a vontade não é suficiente para me re-inventar. sei quem não quero ser e aceito a inevitabilidade da nossa incompatibilidade circunstancial. por isso saio já, não sem dor, mas para evitar entrar lentamente numa espiral de ilusões e recriminações.
hoje estou febril, devo estar imunodreprimida, a garganta dói-me, tenho frio e calor intermitentemente... agora que penso, talvez seja por isso que consigo ser radical: é a febre a subir...
todos os dias sinto a urgência de estar e todos os dias aceito as tarefas insignificantes a que me propus e repito incansavelmente o mesmo caminho, como Sísifo empurrando a pedra montanha acima, interiormente revoltada com a minha inércia.
escolho a opção mais absurda, porque contrária aos meus instintos, porque racional e interiormente mais desgastante do que fazer de ti mais uma pedra no caminho. deixo-te cair. talvez um dia destes nos voltemos a cruzar e as nossa pedras sejam então mais leves e ocupem menos espaço permitindo-nos caminhar lado a lado e inventar outro caminho. talvez não. talvez seja só isto o que nos estava reservado: desencontros.
todos os dias enfrento a despedida. calo dentro de mim a asa ferida e esqueço-me de voar... um dia destes tenho que decidir se quero ser árvore ou ave... hoje não. em tempos conturbados não se tomam grandes decisões.
escolho o meu deserto, adopto a minha solidão. esvazio-o de palavras inúteis e passeio o meu silêncio por fora até ele fazer eco por dentro. tenho palavras demais e nada para dizer.



os ecos do livro, invadem o meu silêncio. talvez este livro já não seja sobre eles, mas sobre mim:



"Um postal. Uma caligrafia bem desenhada preenche o rectângulo.

Passo metade dos meus dias desesperada por não te poder tocar. O resto do tempo, sinto que não importa tornar ou não tornar a ver-te. Não é uma questão de moral, mas do ponto até onde chega a resistência de uma pessoa.

Nem data, nem assinatura."



"No deserto, um homem pode agarrar a ausência na concha das mãos, sabendo que tem nela um alimento mais precioso que a água. Conhece uma planta, próximo de El Taj, cujo coração, quando arrancado é substituído por um líquido cheio de virtudes medicinais. Todas as manhãs se pode beber uma quantidade de líquido de igual volume ao do coração ausente. A planta continua a florir durante um ano, até morrer de uma qualquer carência."


O doente inglês, Michael Ondaatje

24 maio, 2006

hoje um dia cheio de horas em silêncio até me conseguir calar.
o sono queria abraçar-me, mas não deixei.
o café focou-me num só ponto e consegui finalmente
ouvir o silêncio pelo lado de dentro.



fotografia de Nelson Silva retirada daqui

22 maio, 2006


menti. estou presa no presente.
não tenho outro momento que não seja aqui.
não tenho outro lugar que não seja agora.


fotografia de Guilherme Limas retirada daqui

19 maio, 2006

Bom dia

Hoje uma sexta-feira diferente porque mais parecida com os outros dias. como o curso de catálise começa às 11h podia ter aproveitado para dormir até mais tarde, mas chego ao lab. à hora do costume para ainda fazer umas "coisinhas" antes de entrar nesse outro mundo. No comboio leio o livro do costume, continuo a viagem ao interior do mundo das personagens. No caminho os meus pés ressentem-se da sola dura das sandálias, mas sabe-me bem o ar frio nos pés (pela primeira vez este ano) e é como se os meus pés descobrissem hoje o caminho que eu já conheço há muito mas eles não. No caminho caras que já conheço e outras novas e em cada uma adivinho os pequenos grandes desafios deste novo dia, naquela criança, naquela professora, naquele pai, naquele jovem, naquele velho. Em cada um pressinto as suas "pequenas" dores, os seus grandes amores, os seus medos assustadores. Cada um vibrando a uma diferente frequência a promessa deste novo dia, cada um contribuindo para o silencioso ruído da rede humana da cidade, como se não se tocassem, como se não se vissem, como se não chorassem as mesmas lágrimas às vezes.
Hoje um novo dia, com as suas chegadas e partidas, as suas conquintas e derrotas, as suas tristezas e alegrias.
Façam deste dia, um bom dia. Como dizia um amigo no outro dia, à partida os acontecimentos são nulos, tudo depende do que fazemos com eles...

16 maio, 2006

Hoje

As minhas tentativas de limpar o eléctrodo foram infrutíferas,
não me obedece.
Estou cansada, um cansaço difícil de contar, impossível de localizar.
Por isso deixo o laboratório no mesmo lugar (sei que estará cá amanhã)
e desligo o computador.
Amanhã encho-me de paciência, respiro fundo e começo tudo de novo.
Hoje vou encontrar o vento, hoje vou ver o mar.

01 maio, 2006

crossing the desert of spectroscopy



(até já consigo ver nestes cactos uma espécie de multipletos mal resolvidos...

o espectrómetro devia ser um fiat 600... se fosse um ferrari...)