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13 dezembro, 2010

perspectivas


e se tudo o que acontece for o melhor, mesmo que as vezes não pareça?
e se tentar fazer o melhor com tudo o que acontece, mesmo que às vezes não apeteça?


12 dezembro, 2010

coisas simples


há uma beleza nas coisas simples e claras, nas coisas que nos fazem bem e que às vezes parecem raras e outras vezes estão só escondidas pela quantidade enorme de tralha que nos ocupa os dias, sejam as listas intermináveis de coisas a fazer, seja a incapacidade de viver com mais liberdade e mais humildade. sou menos livre quando ignoro o que os outros precisam de mim e espero que eles sirvam as minhas necessidades, quando os manipulo mais ou menos conscientemente para servirem as minhas vontades, quando ajo por interesse e não de forma gratuita. sou menos humilde quando me recuso a pedir ajuda por me ter habituado a viver como se fosse auto-suficiente, como se não precisasse de ninguém. tantas coisas que podem tornar a vida mais difícil do que ela já é, desnecessariamente. a humildade é a verdade, já dizia a madre Teresa, é ser-se quem se é, não usar máscaras, não se sobrevalorizar e não se menosprezar, não parecer mais forte do que se é, não lutar continuamente para se esconder ou para se mudar aquilo que se é. É bom procurar a superação, é bom procurar fazer sempre o nosso melhor, mas se isso se tornar um fim em si podemos esquecer-nos de aproveitar o caminho. viver continuamente no limite pode tornar-nos piores pessoas, mais distraídas, mais cansadas, menos disponíveis para o que realmente interessa. Se o preço da superação for muito elevado, talvez seja caso para perguntar: será mesmo superação? não será maior superação aceitar os próprios limites e viver bem com eles?


05 dezembro, 2010

paz


dentro do corpo um grito mudo,
quando a alma me pede revolução
e a razão surda lhe diz que não.
já sinto na pele as marcas da guerra,
já sinto na boca o sabor do medo.
desta vez peço paz, fico em terra,
não tenho forças para lutar em vão.
desta vez pedes paz, calo a ambição,
ouço o teu silêncio azul-denso-fundo.


do outro lado


hoje vou calar o desejo, a procura, o dever,
ignorar essa voz que me agita os sentidos,
vislumbrar um poema e não o escrever,
recusar essa sede de perto e de mais,
ver-te ao longe na rua e não te chamar,
ser de vento, invisível, desaparecer,
não ter nada a dizer e esquecer-me do resto,
já não ser, não pensar, ser silêncio profundo,
ser outro, ser além, ser o resto do mundo.