29 maio, 2006

E por falar em loucura...

ainda que ser louco não implique ser estranho... e vice-versa


You Are 50% Weird


Normal enough to know that you're weird...
But too damn weird to do anything about it!

SÍSIFO

"Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças."

Miguel Torga, Diário XIII

26 maio, 2006

é quase noite.
o calor gastou-me até aos ossos
e a sensação de gripe consumiu o resto.
entro finalmente em casa: o nosso castelo nas nuvens que começamos pelo telhado...
está inacabado, mas tem já um quarto estofado azul céu, com o tecto aberto para a noite.
espero que arrefeça.
espero que a noite me adormeça.
espero sonhar contigo.
já tive um dia cheio da tua ausência.














fotografia de Sérgio Rodrigo daqui

25 maio, 2006

"a culpa é da vontade" é certo, mas a vontade não é suficiente para me re-inventar. sei quem não quero ser e aceito a inevitabilidade da nossa incompatibilidade circunstancial. por isso saio já, não sem dor, mas para evitar entrar lentamente numa espiral de ilusões e recriminações.
hoje estou febril, devo estar imunodreprimida, a garganta dói-me, tenho frio e calor intermitentemente... agora que penso, talvez seja por isso que consigo ser radical: é a febre a subir...
todos os dias sinto a urgência de estar e todos os dias aceito as tarefas insignificantes a que me propus e repito incansavelmente o mesmo caminho, como Sísifo empurrando a pedra montanha acima, interiormente revoltada com a minha inércia.
escolho a opção mais absurda, porque contrária aos meus instintos, porque racional e interiormente mais desgastante do que fazer de ti mais uma pedra no caminho. deixo-te cair. talvez um dia destes nos voltemos a cruzar e as nossa pedras sejam então mais leves e ocupem menos espaço permitindo-nos caminhar lado a lado e inventar outro caminho. talvez não. talvez seja só isto o que nos estava reservado: desencontros.
todos os dias enfrento a despedida. calo dentro de mim a asa ferida e esqueço-me de voar... um dia destes tenho que decidir se quero ser árvore ou ave... hoje não. em tempos conturbados não se tomam grandes decisões.
escolho o meu deserto, adopto a minha solidão. esvazio-o de palavras inúteis e passeio o meu silêncio por fora até ele fazer eco por dentro. tenho palavras demais e nada para dizer.



os ecos do livro, invadem o meu silêncio. talvez este livro já não seja sobre eles, mas sobre mim:



"Um postal. Uma caligrafia bem desenhada preenche o rectângulo.

Passo metade dos meus dias desesperada por não te poder tocar. O resto do tempo, sinto que não importa tornar ou não tornar a ver-te. Não é uma questão de moral, mas do ponto até onde chega a resistência de uma pessoa.

Nem data, nem assinatura."



"No deserto, um homem pode agarrar a ausência na concha das mãos, sabendo que tem nela um alimento mais precioso que a água. Conhece uma planta, próximo de El Taj, cujo coração, quando arrancado é substituído por um líquido cheio de virtudes medicinais. Todas as manhãs se pode beber uma quantidade de líquido de igual volume ao do coração ausente. A planta continua a florir durante um ano, até morrer de uma qualquer carência."


O doente inglês, Michael Ondaatje

A Culpa é Da Vontade

"A culpa não , não é do Sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa não, não é do Sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te abraçar

A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa é da vontade
Que tenho de te sentir

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade

A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te ver

A culpa não, não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa não, não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa é do lamento
Que sufoca o meu cantar

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade"

Humanos

24 maio, 2006

hoje um dia cheio de horas em silêncio até me conseguir calar.
o sono queria abraçar-me, mas não deixei.
o café focou-me num só ponto e consegui finalmente
ouvir o silêncio pelo lado de dentro.



fotografia de Nelson Silva retirada daqui

Pode alguém ser quem não é

"- Senhora de preto
diga o que lhe dói
é dor ou saudade
que o peito lhe rói
o que tem, o que foi
o que dói no peito?
- É que o meu homem partiu

Disse-me na praia
frente ao paredao
“tira a tua saia
da-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem”

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?

Seja um bom agoiro
ou seja um mau pressagio
sonhei com o choro
de alguém num naufragio
nao tenho confiança
já cansa este esperar
por uma carta em vão

“por cá me governo”
escreveu-me então
“aqui é quase Inverno
aí quase Verão
mês d’Abril, aguas mil
no Brasil também tem
noites de S. João e mar”

Pode alguém ser quem não é?

É estranho no ventre
ser de outro lugar
e tão confusamente
ver desmoronar
um a um sonhos sãos
duas mãos
passando da alegria ao desamor

Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a algema dum outro
serve-me no pé
nas duas mãos,
sonhos vãos, pesadelos
diz-me:
Pode alguém ser quem nao é?"

Sérgio Godinho
You Belong in Amsterdam

A little old fashioned, a little modern - you're the best of both worlds. And so is Amsterdam.
Whether you want to be a squatter graffiti artist or a great novelist, Amsterdam has all that you want in Europe (in one small city).

23 maio, 2006

Desejos

e pensar que eu só queria
coisas poucas, pequenas
e prováveis:
gelados à beira-mar plantados,
piqueniques à luz do dia,
segredos doces,
doces embalos,
abraços apertados,
chuvas de verão,
pijamas velhos,
lençóis lavados,
ouvidos atentos
ao tic-tac do coração,
músicas leves,
momentos raros,
murmúrios breves,
sorrisos claros,
silêncios prolongados
na palma da mão...
a tua mão na minha,
anjos distraídos,
desejos puros,
sumo de limão.




















fotografia de Pedro Gonio retirada daqui
"«Todo Fluye», dijo Heráclito. Todo está en movimiento y nada dura eternamente. Por eso no podemos «descender dos veces al mismo río», pues cuando desciendo al río por segunda vez, ni yo ni el río somos los mismos."

El mundo de Sofía, Jostein Gaarder

até as esperas, momentos em que aparentemente paramos (às vezes
porque precisamos, às vezes porque não sabemos o que fazer,
às vezes porque os outros precisam e nos afastamos
lentamente até existir ar suficiente entre nós
para podermos ambos respirar) são
momentos de movimento,
lento movimento
do tempo
que
passa
sem cessar.
Parar para aprender
a estar em silêncio. Parar para
deixar passar as nuvens e voltar a ver claro.
Parar para olhar o sofrimento de frente e procurar
nele um caminho de renovação. Parar para crescer por dentro.
Parar para me tornar um mundo melhor para alguém.

Parar dificilmente será estar parado...
no fim, nem eu nem o rio seremos os mesmos.

22 maio, 2006

Hoje ao som dos Toranja:

"Quebramos os dois

Eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na côr que trazias.

Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...

Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.

Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.

Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...

É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora."

menti. estou presa no presente.
não tenho outro momento que não seja aqui.
não tenho outro lugar que não seja agora.


fotografia de Guilherme Limas retirada daqui

20 maio, 2006

A song unsung

Do you see?
Are you for real?
Can you hear?
Will you be here?
Can you feel?

Is pain in vain?

I’m holding on to you
Quietly waiting in line,
Someday I’ll wake up
And feel fine,
Won’t I?

Tonight I’m all alone
With my fears
Tonight I touch the bone
With my tears
Tonight I miss your smile
and the rain,
and that day
when all was right
and clear.

Are you away
Just for a while?
Or are you always out of time?
I would offer you my day though
None of my days are mine.
I could repeat myself
And ask again:

Can you feel?
Will you be here?
Can you hear?
Are you for real?
Do you see
I can’t hold still?

I keep asking
I keep trying
I keep breading
I keep crying
I keep bleeding
I keep dying

I keep running
Everyday,
Trying to understand what you say
When you say nothing.
I keep hoping that your skin
Or the wind
Will make me feel real...
someday...
somewhere...
somehow...
someway...

19 maio, 2006

Leituras II

tão pouco tempo e tanto que contar.
decido continuar a citar os livros que ando a ler, como que abrindo portas de um vasto corredor... tantos quartos por desvendar.


"-Mitch não me permito mais auto-piedade do que isso. Um bocadinho cada manhã, umas poucas lágrimas, e pronto.
Pensei nas pessoas que conhecia que passavam muitas das suas horas de vigília a sentir pena de si mesmas. Que útil seria colocar um limíte de auto-piedade para cada dia. Apenas uns minutos lacrimosos, e depois vamos à vida. E se Morrie conseguia fazê-lo com a sua horrível doença...
-Só é horrível se a vires assim - disse Morrie - É horrível ver o meu corpo definhar lentamente até se tornar em nada. Mas também é maravilhoso todo este tempo para dizer adeus.
Sorriu.
-Nem toda a gente tem tanta sorte."
As Terças com Morrie, Mitch Albom


"Vivera um tempo de guerra em que tudo o que dava a ver aos que o rodeavam era mentira. Sentira-se como alguém escondido num quarto às escuras, a imitar o gorjeio de um pássaro.
Mas aqui viam-se despojados da sua pele. Não conseguiam imitar coisa nenhuma excepto aquilo que eram. Não havia outra defesa senão a de procurar a verdade nos outros."
O doente Inglês, Michael Ondaatje














às vezes no comboio...
ou na rua alguém ao passar...
mas principalmente
quando alguém se detém à porta
sem entrar, páro por instantes
de respirar, e desejo que sejas tu...
quando reparo que não és
(embora às vezes me pareça
que em alguns um canto do teu olhar
ou um quarto do teu sorriso)
volto a respirar devagar,
às vezes por vários dias
ou por várias horas,
ou até voltares a passar
nos olhos, no sorriso, ou na voz de alguém.


fotografia de Elisandra Amoedo encontrada aqui

Bom dia

Hoje uma sexta-feira diferente porque mais parecida com os outros dias. como o curso de catálise começa às 11h podia ter aproveitado para dormir até mais tarde, mas chego ao lab. à hora do costume para ainda fazer umas "coisinhas" antes de entrar nesse outro mundo. No comboio leio o livro do costume, continuo a viagem ao interior do mundo das personagens. No caminho os meus pés ressentem-se da sola dura das sandálias, mas sabe-me bem o ar frio nos pés (pela primeira vez este ano) e é como se os meus pés descobrissem hoje o caminho que eu já conheço há muito mas eles não. No caminho caras que já conheço e outras novas e em cada uma adivinho os pequenos grandes desafios deste novo dia, naquela criança, naquela professora, naquele pai, naquele jovem, naquele velho. Em cada um pressinto as suas "pequenas" dores, os seus grandes amores, os seus medos assustadores. Cada um vibrando a uma diferente frequência a promessa deste novo dia, cada um contribuindo para o silencioso ruído da rede humana da cidade, como se não se tocassem, como se não se vissem, como se não chorassem as mesmas lágrimas às vezes.
Hoje um novo dia, com as suas chegadas e partidas, as suas conquintas e derrotas, as suas tristezas e alegrias.
Façam deste dia, um bom dia. Como dizia um amigo no outro dia, à partida os acontecimentos são nulos, tudo depende do que fazemos com eles...

18 maio, 2006

Leituras

ultimamente ando numa fase de leitura
(imagine-se se andasse numa fase de escrita)
por isso em vez de escrever, hoje deixo aqui duas passagens, uma de cada livro que ando a ler (pois é ando a ler dois livros... mas com regras... um só leio no comboio, o outro só leio em casa, antes de dormir, agora qual é qual?... não vou desvendar)


"-A coisa mais importante na vida é aprender como dar amor, e como deixá-lo entrar.
A sua voz baixou para um sussurro.
-Deixa-o entrar. Nós pensamos que não merecemos amor, pensamos que, se o deixarmos entrar, nos tornamos moles demais. Mas um homem sábio chamado Levine disse-o bem. «O amor é o único acto racional.»
Repetiu-o cuidadosamente, pausadamente, para fazer efeito.
-«O amor é o único acto racional»."
As Terças com Morrie, Mitch Albom


"-Julguei que ia morrer. Queria morrer. E julguei que se fosse morrer ia morrer contigo. Rapazes como tu, jovens como eu... vi morrer tantos ao pé de mim durante o ano passado! Não tive medo nenhum. Não foi coragem o que ainda agora me fez aqui ficar. Pensei com os meus botões: Temos esta casa, esta erva, devíamos ter-nos deitado juntos, abraçados, antes de morrer. Apetece-me tocar-te nesse osso do pescoço, na clavícula, que parece uma asa pequena e dura debaixo da tua pele. Sempre gostei de corpos da cor dos rios e das pedras, da cor do olho castanho de uma susana, conheces essa flor? Já viste alguma? Estou tão cansada, Kip, só me apetece dormir. Apetece-me dormir debaixo desta árvore, de cara encostada à tua clavícula, apetece-me fechar os olhos, sem pensar em mais ninguém, encontrar um nicho de árvore, trepar lá para dentro e dormir."
O doente inglês, Michael Ondaatje

17 maio, 2006

lagos e furacões...

Como uma pedra ao cair num lago, parece coisa pouca, mas provoca ondas que percorrem todo o lago até desaparecerem e deixarem tudo aparentemente igual, basta uma palavra, um des-olhar, um des-amor para abalar o estado fundamental de equilíbrio e deixar alguém num estado menos estável, embora aparentemente igual, para quem está de fora.
As mulheres, de uma maneira geral, são peritas em entrar nestes estados meta-estáveis... não se vêem por fora, são indecifráveis, indetectáveis, mas coitado do triste que agitar a superfície da água, ainda que seja, como na maior parte das vezes é, sem intenção...
Claro que, há dias e dias, há dias em que várias pedras não fazem nada, e outros em que um arranhão é sentido com a intensidade de um choque frontal entre dois elementos (aqui falta-me a palavra, será objectos,... sei lá, veículos... nada me soa bem) a grande velocidade... toda a energia potencial acumulada no interior do lago é rapidamente convertida em furacão...
O tal azarado de à bocado acha a reacção exagerada claro está, mas se o disser é capaz de piorar a sua, já desfavorável, situação. Enfim... as relações humanas não são fáceis. É recomendado que se sirvam com abundância de paciência e de perdão...
Não esquecer que cada caso é um caso, e que não há uma resposta mágica que sirva para todos os furacões... há os que se sentem bem com o silêncio e os que não o suportam, há os que se acalmam com uma postura submissa e os que sentem nela uma provocação...
Para os que tiverem que se confrontar com esta situação, 3 conselhos sempre úteis: sair a correr não é a melhor solução; dar atenção/ouvir (sem olhar para o relógio/telemóvel, claro, mas isto é óbvio... não é?) não custa muito e costuma ter efeitos surpreendentes; não mentir, mas também não abusar da sinceridade... há formas melhores e piores de dizer as coisas. O que é preciso é inspiração...
Com o tempo também nos vamos conhecendo melhor a nós próprias e conseguimos detectar os sinais da tempestade a tempo de a evitar... ou então não... (as hormonas não ajudam...)
Seja como fôr, as razões são quase sempre pequenas para ficarmos zangados com alguém muito tempo. O rancor é uma planta que se infiltra no coração se lhe dermos espaço...
Há tantas coisas melhores para fazer, comer gelados, passear à beira-mar, "perder" as horas a conversar... não vale mesmo a pena perdermos tempo com coisas mesquinhas e pequenas. convém começar já hoje a perdoar (porque perdoar pode demorar... quanto mais cedo se começar melhor)

16 maio, 2006

Hoje

As minhas tentativas de limpar o eléctrodo foram infrutíferas,
não me obedece.
Estou cansada, um cansaço difícil de contar, impossível de localizar.
Por isso deixo o laboratório no mesmo lugar (sei que estará cá amanhã)
e desligo o computador.
Amanhã encho-me de paciência, respiro fundo e começo tudo de novo.
Hoje vou encontrar o vento, hoje vou ver o mar.

15 maio, 2006

P.S.

gosto de portos seguros,
gosto de conduzir de manhã cedo,
gosto de andar à chuva,
gosto de banhos de água fria,
gosto de pequenos pormenores,
gosto de provocar,
gosto de arriscar,
gosto de abraços apertados,
gosto de dançar de olhos fechados,
gosto de sonhos grandes,
gosto de gavetas de tralha,
gosto de ler um livro até ao fim,
gosto de albuns de fotografias,
gosto de lágrimas disfarçadas,
gosto de famílias barulhentas,
gosto de teatro, cinema, música e poesia,
gosto de viver,
gosto de pensar um dia de cada vez,
gosto do mar,
da terra,
mas principalmente,
gosto de gente.