22 abril, 2011

Arvo Part - Fratres For Cello And Piano




pela música não pelo filme (embora tenha gostado do filme).
pelo silêncio a que (est)a música nos impele.
e mais não digo: (hoje).


18 abril, 2011

sentido de oportunidade III


às vezes (muitas vezes) espero pelo momento certo para falar: quando houver silêncio, quando alguém fizer a pergunta certa, quando servirem o café, quando chegar mais alguém, quando alguém se for embora, quando for a hora certa... às vezes (às vezes) não chego a falar.


sentido de oportunidade II


enquanto não as conhecemos as pessoas são caras indistinguíveis na multidão. podemos passar por elas, vezes sem conta, sem as vermos. depois de falarmos com elas uma vez, passamos a vida a encontrá-las, mesmo sem querermos.


sentido de oportunidade I


mais do que muitas palavras,
mais do que palavras a mais,
o silêncio diz-te muito bem
e cala-me ainda melhor.


14 abril, 2011

Páscoa


o fim e o princípio sobrepostos,
lugar onde se cruzam todos os caminhos,
ponte para lá das palavras e dos gestos.

um amor que no silêncio se revela,
que na humildade se traduz
em entrega desmedida.


04 abril, 2011

É para já!


Passo a vida a adiar, coisas pequenas, coisas grandes, coisas assim-assim. Adio a hora de ir dormir, adio o sono para outro dia, adio a hora de acordar, adio o que tenho que ler, adio o que tenho que escrever, adio o que tenho que compor, adio o que tenho que estudar, adio a oração para amanhã, adio o exercício para depois de amanhã, adio e-mails que tenho que enviar, adio reuniões que tenho que marcar, adio pessoas que devia visitar, adio o que tenho para dizer, adio o que tenho para sentir, adio, adio, adio...

Facilmente, reparo, me habituo a adiar não só as coisas chatas, mas também as coisas boas, por medo, preguiça ou distracção. adio a felicidade para outro dia por que me esqueço de viver bem o tempo, as oportunidades, as pessoas de todos os dias...



E se hoje começar a olhar para os dias de outra forma? Se em vez se adiar decidir: é para já! É para já o trabalho, é para já deitar cedo e cedo erguer, é para já fazer exercício, é para já aproveitar melhor o tempo e ter tempo para ter tempo e ter tempo para descansar e ter tempo para estar. É para já a vida!



31 março, 2011

Haikus - Tentativa 1


na multidão de anónimos
caminhar.
silêncio.




no muro dos dias
tricotar janelas,
ver.




tempo de dar.
tempo de parar.
(in)decisão.




entra pela porta fechada.
a verdade nos gestos, o silêncio na boca.
a beleza.




ruído de passos.
ninguém.
a memória.


22 março, 2011

memória II


pela noite adentro.
o relógio a morder-me os calcanhares.
lentamente.


memória


à volta, à volta, à volta de um trabalho sobre memória...
parece que me tenho esquecido.


21 março, 2011

The National - England (Live Directors Cut)




repetidamente, por tempo indeterminado (acho que me estou a repetir)


The National - Runaway (Live Directors Cut)




estou viciada. posso ouvir The National todos os dias, as mesmas músicas, repetidamente, por tempo indeterminado.


20 março, 2011

dar... ou dar-se


dar sem querer nada em troca... é difícil? muito. mesmo quando nos convencemos de que somos desinteressados, muitas vezes esperamos uma retribuição, um reconhecimento, talvez apenas um obrigado bastasse, mas nada, nada de nada (mesmo nada) é difícil de digerir.

quanto mais não seja, dar dá, muitas vezes, alguma satisfação interior... mas dar pelo bem do outro e não para nos sentirmos melhores pessoas... dar a quem nos irrita, dar a quem nos tira (a paz e paciência), dar a quem nos incomoda... é difícil? muito.

e quando digo dar... não quero dizer necessariamente dar alguma coisa material, às vezes quero dizer dar-se. é difícil? muito, mas só o facto de estarmos atentos faz-nos encontrar muitas oportunidades de dar... oportunidades que temos todos os dias e que por distracção ou preguiça desperdiçamos.


15 março, 2011

é só isto?


Não gosto de improvisar, gosto de me preparar, não gosto de me sentir sem chão, gosto de controlar, gosto de saber a resposta certa antes de ouvir a pergunta... mas, às vezes, tanta segurança sabe-me a pouco.
Às vezes, pergunto-me: é só isto? Deve haver alguma coisa lá fora pela qual valha a pena arriscar, alguma coisa pela qual valha a pena lutar, alguma coisa que ultrapasse a banalidade dos dias, alguma coisa na qual o coração se reconheça. Deve haver.



09 março, 2011

(in)versão


quando não te vejo é que não te esqueço,
quando não me falas é que não me calo,
quando não me tocas é que te desejo,
e neste desencontro nada te subtrai,
só se multiplica a tua longa ausência.

quanto mais analiso a raiz do questão
mais me confundo e mais me convenço
da ausência de ciência nesta (in)consciência.

quanto mais verifico a insolução
mais me critico e mais me disperso,
mais te encontro e mais me afasto da razão.

esta (in)consciência ignora as leis da física
e da matemática e da linguagem e da gestão
e outras que tais...

mas eu não.

se a (in)consciência ignora todas as leis
eu ignoro a (in)consciência e outras que tais
e da tua presença me subtraio:

se te vejo mais depressa esqueço,
se me falas eu não te respondo,
e se me tocas não te quero mais.



06 março, 2011

2+2=5


na música, como na vida, é essencial ser generoso.
tudo aquilo que se dá de forma desprendida, despretensiosa, sincera e alegre é sempre melhor do que aquilo que pensamos que tínhamos para dar.
a música, como a vida, é feita de relações, onde, às vezes, se observa inesperadamente que o resultado final é superior à soma das partes: afinal sempre há lugares onde 2+2=5. E podiam ser muitos mais...

hoje, ou melhor, ontem, foi um prazer encher de música e vozes e vida o palacete pinto leite, hoje esvaziado dos móveis, dos instrumentos, dos professores e alunos do conservatório de música, mas não esvaziado da sua identidade, ou, por que não, da sua personalidade. porque há casas que absorvem e reflectem a história e as estórias que as habitaram, ecos de um passado que se projectam no presente, que nos contaminam e nos inspiram a fazer melhor. [somos duração e temos dentro de nós todos os tempos: o que já fomos, o que hoje somos e o que seremos.]


26 fevereiro, 2011

disciplina


muitas vezes sou prisioneira dos meus sentimentos e desejos.
hoje saio em liberdade condicional por bom comportamento.


22 fevereiro, 2011

a outra face


os nossos pré-conceitos afectam de forma determinante a atitude que temos perante os desconhecidos, se sorrimos ou não, se somos mais ou menos pacientes, se somos mais ou menos sinceros, ou melhor, mais ou menos parecidos com o que somos realmente.
as nossas experiências anteriores com as pessoas afectam a forma como as tratamos da segunda, da terceira, da décima e da milésima vez porque é muito difícil ultrapassar diferenças e mágoas prévias para arriscar ser gratuito e olhar com um olhar renovado uma e outra vez.
por último, a nossa opinião em relação a nós próprios, a nossa auto-estima, aquilo que achamos, mais ou menos conscientemente, que merecemos (ou não) reflecte-se a todo o momento nas nossas opções e acções em relação aos outros (como uma espécie de profecia que se auto-realiza). quantas vezes nos desvalorizamos silenciosamente, quantas vezes esquecemos que o valor intrínseco de cada um é completamente independente das qualidades e dos defeitos, do QI, das aparências, ...
eu que me reconheço como num espelho em todas estas armadilhas (dos pré-conceitos à auto-desvalorização) fico a pensar: como seriam as nossas relações se nos libertássemos de todas estas correntes?


18 fevereiro, 2011

horários


gosto da manhã. da luz da manhã. da sensação de que todas as coisas são ainda possíveis. do pequeno-almoço. do cheiro a café.
gosto da noite. do silêncio. de conduzir pelas estradas vazias. das conversas intermináveis. do luar. de ver o dia nascer. de ouvir o dia nascer.
gosto de dormir muito, mas não me consigo deitar cedo. por isso no tempo de aulas durmo pouco e vejo muitas manhãs. nas férias durmo muito e vejo muitas noites, poucas manhãs.

07 fevereiro, 2011

de férias...


quinze dias de férias muito ansiados depois de um semestre exaustivo. nos primeiros dias dormi até tarde e não fiz nada de jeito... o que rapidamente se tornou enervante. será que estou viciada no trabalho? será que já não consigo não ter nada para fazer? é triste. já o tinha sentido nas férias de verão. se não tenho nada marcado não faço nada, nem sequer saio de casa e fico a vegetar. rapidamente fico deprimida e as férias tornam-se cansativas e não o contrário. A solução portanto é arranjar objectivos:

Ir ao cinema:
Biutiful
Cisne Negro
Indomável
O discurso do Rei

Ler:
Tudo o que sobe deve convergir - Flannery O'Connor
1 Km de cada vez - Gonçalo Cadilhe
Northanger Abbey - Jane Austen
Antígona - Sófocles
A queda de um anjo - Camilo Castelo Branco
Fragmentos - Novalis
Poesia - q.b. - Daniel Faria, Eugénio de Andrade, Sophia de M. B. Andresen

Reler:
Terra dos Homens - Saint-Exupéry

Ouvir:
Du Temps & de L'instant - Jordi Savall,...
Mongrel - Mário Laginha Trio
Sinfonia nº 1 e Vathek - Luís de Freitas Branco
Integral das canções - Luís de Freitas Branco
Lieder - Vianna da Motta
Xinti - Sara Tavares
Lungs - Florence & the Machine
Forbidden Fruit - Nina Simone
B Fachada - B Fachada
Riot on an empty street - Kings of Convenience
Kid A - Radiohead
Boxer - The National

Rezar
Escrever
Tocar piano
Tocar guitarra
Arrumar o quarto (...)
Fazer exercício (.............)
Ir ver o mar
Não fazer nada
Estar com os amigos
Fazer um plano para o dia
Ir comer jesuítas à pastelaria Moura

serão objectivos a mais? vou ficar frustrada se não conseguir atingir os objectivos? não sei, mas li algures que fazer planos é a melhor maneira de evitar a inércia e a indecisão. e não fazer planos também não parece estar a resultar... por isso vou tentar!