26 agosto, 2011

24 agosto, 2011

No coração do mundo


há algo na viagem que nos fascina e seduz.
que nos chama por dentro. sem palavras.
um outro mundo lá fora. longe das nossas seguranças.
uma busca comum que silenciosamente nos guia:
para onde vai a tua vida?
para onde vai este dia?
de todas as cores. de todos os lugares.
para lá dos medos o invisível reluz.
um desejo onde desconhecidos se reconhecem.
um amor que torna próximos os distantes.
um mundo inteiro lá fora. à nossa espera.

03 agosto, 2011

Contagem (de)crescente


Dia -1

Música: CD "Em fuga" - Tiago Betterncourt & Mantha
Objectos: Mochila, lista de coisas a levar, coisas propriamente ditas
Acção: Fazer a mala.

O que precisamos realmente? O que levamos e o que deixamos para traz? Viver com mais. Viver com menos. O que nos faz realmente falta? O que podemos dispensar? Torna-se mais fácil decidir quando sabemos que vamos ter que carregar a mochilas às costas no caminho... (mas não temos sempre? não carregamos o peso das coisas todos os dias?) As escolhas que fazemos influenciam a viagem. Que viagem queremos fazer? Que valor damos realmente às coisas? Será que elas têm esse valor? Ou poderíamos viver melhor sem elas? Fazer escolhas. Fazer a mala é fazer escolhas. Fazer a mala é um exercício de liberdade.


Preâmbulo


a partida marcada. daqui a dois dias. e a mala por fazer. ainda. tempo não me tem faltado. porquê? adiar. sou perita em adiar. não pensar. para não ter que pensar. em quê? na partida. na chegada. no espaço entre. no tempo durante. para não pensar. para não ter medo. de quê? sei lá. do barulho. do silêncio. da multidão. da solidão. de tudo. de nada. de perder. de encontrar.

a viagem marcada. definitiva. agora já não há nada a fazer. já não há tempo. já nem sequer há tempo para não pensar.


23 julho, 2011

oportunidades


a vida é frágil. parece energia fulgurante. parece intocável. parece garantida.
às vezes vivemos como se fôssemos imortais. desperdiçamos. energia. tempo. oportunidades. dizemos: haverá outras oportunidades, mas não é exactamente verdade.
as oportunidades que desperdiçamos não voltam. as oportunidades que desperdiçamos não se repetem.
haverá outros tempos, outras pessoas, outras oportunidades, nós próprios seremos outros.
a inacção é uma forma de acção. as oportunidades que virão, serão outras. mesmo outras. melhores? piores? é muito difícil sabê-lo.


perspectivas


Às vezes a distância... é o melhor remédio.
Quando estamos perto demais nem sempre temos consciência do plano geral.
Dava jeito, às vezes, conseguirmos ver-nos (a nós, às nossas opções, às nossas relações) à distância.


10 julho, 2011

esse lugar invisível que te habito sem saberes II


É provável a ilusão. O desejo tem destas coisas. A vontade férrea de persistir, de se ultrapassar, de passar do pensamento à acção. É capaz de criar qualquer ilusão para servir o seu ardil. Eu não posso ser quem tu desejas, não posso ser quem tu precisas, o tempo todo. É uma ilusão, mas a sensação do meu desejo é essa, a ilusão do meu desejo é essa: é seres em mim, já, o que ainda não sabes e eu ser em ti o que ainda não sentes. Desde sempre. Desde que nasceste e até morreres e mesmo que nunca o venhas a saber. Eu ser em ti, desde sempre, esse lugar invisível que te habito sem saberes.


22 junho, 2011

esse lugar invisível que te habito sem saberes


gastei os meus passos a caminhar,
mas não cheguei a nenhum lugar.
devolvi o meu corpo à terra,
mas ela não o recebeu.
abri o meu flanco para dar de beber aos pássaros,
mas eles não se aproximaram.
voltei para casa, sozinha, sem ti,
mas haverá algum lugar onde tu não estejas?


Radiohead - Fake Plastic Trees



(nada a acrescentar)


18 junho, 2011

Distâncias


Há momentos em que estamos perto demais.
Às vezes a diferença mínima de alguns milímetros é o suficiente para ultrapassar a barreira da distância de segurança mínima garantida, uma linha invisível, quase, quase imperceptível.
Em cima da linha não é possível ficar. Ou se mergulha de cabeça. Ou se recua sem hesitar.
Acontece, às vezes, que o desejo quer avançar quando a razão quer recuar. Isto não torna mais difícil a decisão (para quem tem a certeza de quem é e do que quer para si). Às vezes queríamos poder acreditar na ilusão de que outra decisão é possível, mesmo quando sabemos que não é. Queríamos poder adiá-la quando no fundo ela esta tomada à partida.
O desejo ameaça sempre que vai dar luta, mas não se pode ceder à chantagem só para tentar manter uma paz aparente. Se a verdadeira paz quer ser (re)conquistada vamos à luta que o desejo tem mais garganta que poder. (Lutar faz bem. Aquece nas noites frias. Traz diversidade à banalidade dos dias. Fortalece os músculos interiores da renúncia e da vontade).


entrega


o que realmente me emociona são as pessoas.

pessoas com ganas de viver, orgânicas, de alma e carne e liberdade e desejo.
pessoas capazes de subir ao palco e dar tudo o que têm lá dentro, de bom e de frágil, de coragem e de medo, no fundo, tudo o que são.


14 junho, 2011

Caetano e Maria Gadú - O Quereres (Ao Vivo)



sabe bem ouvir cantar assim ao fim da tarde (ou a qualquer hora) em casa (ou em qualquer lugar). sabe a férias quando há ainda muito trabalho pela frente, mas apetece, de repente, fazer uma pausa para respirar. parar como quem tem todo o tempo p'ra parar, sem correr, parar só, mesmo, mesmo devagar (como um beijo devia ser: instante parado no tempo de quem não tem pressa de partir, nem de chegar).

eu estou descompassada com a vida,
a vida a correr e eu perdida,
não sei se atrasada ou diante da terra prometida
(sem a ver).
o desencontro às vezes sabe a despedida,
mas não me parece perdido o tempo que perdi
(e ainda perco)
a aprender a perder.

liberdade é coisa de difícil apetecência, menos de apetecer e mais de paciência.
às vezes apetece menos, de querer estar perto demais.
às vezes apetece mais, de querer voar p'ra bem longe, onde não se toca nem se vê.
às vezes parece de menos, de não haver espaço para se ser quem se é.
às vezes parece demais, de quase roçar a solidão.
há que estudar a arte da iluminância, menos de ânsia e mais luz (e de esperanc(i)a)
para aprender a ganhar até quando se fica a perder.



10 junho, 2011

o dia depois de ontem


este é o dia seguinte.
por isso convivem em mim dois sentimentos contrastantes. a satisfação pelo trabalho realizado. e um certo vazio, difícil de explicar... (saudades já de algo que terminou? ou a difícil tarefa de me re-equilibrar depois de ter exigido tanto de tudo, e de todos e de mim.)
às vezes penso que outra forma de viver e de trabalhar deve ser possível, eu é que ainda não a descobri, por isso gasto-me assim, na primeira pessoa do singular, no presente do indicativo. por isso às vezes o medo. porque entregar (me) assim é arriscado.
damos e recebemos, mas onde estamos? se estivermos só no que damos, arriscamos ficar sem nada? ou damos sem medo e em liberdade porque o fazemos a partir do centro, do núcleo duro daquilo que somos e daquilo em que acreditamos? e não tememos esvaziar-nos porque sabemos que o amor não se gasta nem se divide, antes se multiplica nas mãos de quem o dá.

29 maio, 2011

Modus operandi


vai aonde queres ir,
diz o que tens a dizer.
sê educado e sensato,
humilde, mas não condescendente,
corajoso, mas não intransigente,
livre acima de tudo,
na relação com as coisas e com as pessoas,
na certeza de que tudo passa,
(até a vida)
e portanto não tens nada a perder.


23 maio, 2011

70 km/h


no sábado levava a avó e a Lina no carro:
"olhe aquela é a casa do Fernando, está a ver?"
"e agora, já sabe onde é que estamos?"
"não, ainda não atravessamos a ponte"
"olhe o milho como está grande, nasceu muito bem"
percebi finalmente por que é que o meu avô conduzia tão devagar.
porque quando se conduz rápido demais, como eu normalmente conduzo, não se consegue ver se o milho já nasceu.


17 maio, 2011

GIVE CHILDREN A HEALTHY START IN LIFE


Why Bother? from ONE Campaign on Vimeo.


New and effective vaccines are now available to help prevent two of the biggest killers of children under 5: pneumonia and diarrhoea. With these vaccines we can save 4 million kids' lives in the next 5 years. But we've only got a few weeks to make it happen. Next month world leaders are meeting at the Global Alliance for Vaccines and Immunisation pledging conference to decide how much they will support the roll out of these vaccines in developing countries.


Help protect children for a lifetime by adding your name here:

http://www.one.org/international/actnow/vaccines/o.pl?id=2318-4763128-UKSEpRx&t=3



14 maio, 2011

Receita


um oásis.
só preciso de cinco minutos de oásis por dia para me abstrair da quantidade de trabalho que tenho pela frente e descansar.
e um café.
um café depois do almoço para enfrentar a tarde, noite, madrugada (o tempo que for) com energia aproximadamente constante.



22 abril, 2011

Arvo Part - Fratres For Cello And Piano




pela música não pelo filme (embora tenha gostado do filme).
pelo silêncio a que (est)a música nos impele.
e mais não digo: (hoje).


18 abril, 2011

sentido de oportunidade III


às vezes (muitas vezes) espero pelo momento certo para falar: quando houver silêncio, quando alguém fizer a pergunta certa, quando servirem o café, quando chegar mais alguém, quando alguém se for embora, quando for a hora certa... às vezes (às vezes) não chego a falar.


sentido de oportunidade II


enquanto não as conhecemos as pessoas são caras indistinguíveis na multidão. podemos passar por elas, vezes sem conta, sem as vermos. depois de falarmos com elas uma vez, passamos a vida a encontrá-las, mesmo sem querermos.